Discernindo a Cosmovisão: O Desafio para um Mundo em Mudança  

Como sabemos a cosmovisão de alguém? Por que deveríamos? 

Aliás, como sabemos qual é a nossa própria cosmovisão, se a cosmovisão é em grande parte aquilo que fazemos e dizemos quando não estamos pensando sobre isso? Mesmo enquanto escrevo este artigo, estou me perguntando como minha cosmovisão afeta o que eu digo. 

Uma Abordagem para Discernir


A salvaguarda para evitar que minha cosmovisão pessoal conduza este artigo é usar a Palavra de Deus. Tudo o mais, incluindo minha cosmovisão, é frequentemente moldado inconscientemente por experiências e cultura. É a Palavra de Deus que nos ajuda a peneirar nossas cosmovisões preexistentes e a avaliá-las, ou discerni-las, corretamente. Sua Palavra é “viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (He 4:12)

Começamos com a Palavra de Deus para discernir as cosmovisões de pessoas, organizações, livros, filmes, música, ideias — qualquer coisa criada por pessoas formadas por seus próprios passados, pressões culturais e pelo que escolhem ver e ouvir. 

Para um olhar sólido sobre o porquê e como discernir cosmovisões, encontramos ajuda em Filipenses 1:9-11. Esses versículos contêm uma das poucas ocorrências da palavra “discernir” ou “discernimento” no Novo Testamento.  O verso 9, conforme a versão ARA, nos dá os primeiros pontos de partida: “E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento.” 

Amor

O propósito do discernimento é crescer no nosso amor, um amor à maneira de Deus que busca o melhor para os outros. Enquadramos nosso discernimento das cosmovisões com amor para ajudar que ele “aumente cada vez mais”. Muitas vezes, em nosso mundo, estudamos e avaliamos uma pessoa para vencer um argumento, menosprezar alguém ou destacar o que está errado. O amor nos leva por um caminho diferente. 

O amor nos impele a conhecer e avaliar a cosmovisão de uma pessoa com o propósito de amar melhor. Talvez nosso estudo da cosmovisão de uma pessoa nos ajude a encontrar uma ponte para compartilhar Cristo, ou a ensinar melhor um aluno, ou ainda a cuidar deles de forma mais completa à medida que os entendemos melhor. Às vezes, estudar a cosmovisão de uma pessoa nos ajudará a proteger nossa família ou nossos alunos, outro transbordamento do amor. 

O que te move a conhecer melhor seus alunos? Amor por cada um? Ou outras razões? Pense em cada aluno e examine sua motivação para conhecê-los. 

À medida que você discerne, você utiliza as palavras e ações de uma pessoa para conhecer sua motivação. Elas mostram amor? Ou orgulho, arrogância ou desejo de vencer? O amor é um bom critério para usar enquanto discernimos. 

Conhecimento

O próximo passo para discernir é reunir conhecimento: “conhecimento real” com um propósito; conhecimento sobre Deus, sobre pessoas, sobre indivíduos; conhecimento da Sua Palavra e conhecimento da vida. 

Para conhecer a cosmovisão de alguém, fazemos constantemente perguntas, observamos comportamentos e escolhas de palavras, olhamos escritos e relatórios passados. Reunimos informações de uma variedade de fontes e pesamos essas informações da melhor forma possível para encontrar a verdade. E ensinamos nossos alunos a fazerem isso. 

Fazemos do aprendizado sobre os outros uma parte de nossas vidas. Conhecemos melhor os alunos por meio de práticas como aluno-da-semana ou histórias que eles escrevem. Perguntamos a outros sobre os alunos e consideramos cuidadosamente a fonte. Em outras áreas, lemos uma postagem online e pesquisamos o histórico do autor. Ou pedimos ao Google que encontre avaliações de um produto ou livro. Reunimos conhecimento. Especialmente de fontes e pessoas confiáveis. 

Mas não paramos no conhecimento. Como Paulo diz em 1 Coríntios 8:1 “O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica.” 

Discernir

Amor. Conhecimento. Então discernimos. “Discernir” pode ser traduzido como “percepção” ou “entendimento”. O discernimento usa o que sabemos, guiados pelo Espírito Santo, para tomar uma decisão ou julgamento sobre o que está por trás do que vimos e ouvimos, e para decidir o que usar ou descartar. 

Hebreus 5:14 diz: “Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.” O discernimento exige prática, o que exige tempo. Podemos auxiliar os alunos a praticar utilizando histórias ou situações para poderem considerar e discutir o que é bom e o que é mau, o que é útil ou vazio. Construa planos de aula que incluam prática com você e entre eles para discernir cosmovisões e decidir quais podem ser confiadas ou usadas com cautela. 

O trabalho do discernimento é tomar uma decisão. Qual é a cosmovisão da pessoa? Eles estão vindo de uma visão de mundo que inclui Deus? Podemos confiar nelas? Até que ponto e para quê? O que é bom? Somos chamados a “examinar tudo cuidadosamente; reter o que é bom” (1Ts 5:21). Isso é discernimento. Não há nada melhor para dar aos nossos alunos no mundo de hoje do que aprender a discernir. 

Quais critérios você vai usar para discernir, para julgar? O que seus alunos deveriam usar? Considere usar os valores da TeachBeyond para começar a avaliar uma cosmovisão. Ela possui: 

  • Humildade, uma marca de Jesus? 
  • Excelência, sendo cuidadoso e escolhendo o melhor disponível? 
  • Amor, demonstrado pela pessoa, à maneira de Deus? 
  • Parceria, compartilhando e se importando com a comunidade maior em vez de consigo mesmo? 

Discernir uma cosmovisão não é apenas julgar o bem ou o mal. Trata-se de moldar uma vida corretamente vivida com Deus. O discernimento agora precisa ser usado, como Paulo continua em Filipenses 1:10-11: “para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.” 

Aprovar

Agora “aprovamos” ou “afirmamos” o melhor do que discernimos com nossas palavras e ao usar as partes excelentes em nossas vidas. Esse processo de discernimento ajuda a moldar nossa própria cosmovisão e a de nossos alunos e nos transforma de dentro para fora. 

Encontrar e usar o melhor de uma cosmovisão é uma ótima maneira de construir pontes com os outros. Em Atos 17, Paulo discerne a cosmovisão dos atenienses e afirma a busca deles por um “Deus desconhecido”. Ele usa isso de forma positiva para lhes contar as Boas-Novas. Podemos usar a mesma prática ao estudar nossos próprios alunos e encontrar pontes para suas vidas. 

Ninguém tem uma cosmovisão perfeita. Discernimos para saber o que podemos usar e o que não usar, no que podemos confiar e para quais propósitos, como ajudar os outros, como amar melhor. 

Fruto

Ao aprovarmos o excelente, somos moldados para “sermos sinceros e irrepreensíveis até o dia de Cristo” (Fp 1:10). Discernir as cosmovisões dos outros ajuda os alunos a aprenderem por si mesmos o que usar ou não usar para permanecerem puros (outra tradução de “sinceros”) e a evitar o que fará com que eles e outros tropecem para poderem ser “irrepreensíveis”. 

O fim do processo é estar “cheio do fruto da justiça que vem por meio de Jesus Cristo”. O processo de discernir cosmovisões e ensinar nossos alunos a fazerem isso permite que o Espírito Santo os faça crescer mais plenamente e os abençoe com o fruto da justiça por meio de Jesus. 

Aprender a discernir o que está por trás de nossas próprias palavras e ações e das dos outros é central para viver uma vida com Deus e amar bem. Discernir todas as coisas não é uma nota de rodapé. Como podemos modelar o discernimento diante de nossos alunos? Como podemos praticar o discernimento de cosmovisões em nossas aulas todos os dias e ao longo do dia? Pela graça de Deus, por meio da Sua Palavra. 

Joe Neff 

Joe atua como Embaixador Sênior de Educação Transformacional da TeachBeyond, observando o que Deus está fazendo no mundo e como nos encaixamos nisso, trabalhando especialmente com outras pessoas. Anteriormente, ele serviu em uma escola no Sudeste Asiático e depois por seis anos como Diretor dos Serviços Educacionais Globais da TeachBeyond. Antes disso, Joe liderou três escolas cristãs nos Estados Unidos.

Trad.: Natália Cartelli

Texto Original: https://teachbeyond.org/article/discerning-worldview-the-challenge-for-a-changing-world

 

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