A Mulher, o Dragão e o Descendente

Uma história de Natal

Nesta época do ano, temos a proliferação dos especiais de natal e de filmes com temas natalinos. Fala-se muito de esperança, paz, amor e alegria, e geralmente atribui-se isso ao “espírito de Natal”, mas não fica muito claro de onde ele vem, nem o que isso implica. Todos nós curtimos uma boa história, e precisamos uma que seja real para que a nossa esperança também seja.

“A Mulher, o Dragão e o Descendente” é uma versão da verdadeira história de Natal contada no por João no capítulo 12 do último livro da Bíblia: o Apocalipse. Estamos diante de um gênero literário estranho para nós, mas conhecido para os leitores originais. A sua função de “abrir as cortinas” para que possamos a ver realidade como Deus a vê, e não como ela parece ser.

O que vemos quando olhamos para fora da janela: a pandemia, a crise econômica, a corrupção política é real e um tanto quanto desalentador. Se essa for a realidade total, e todo senso de transcendência for artificial, então estamos em sérios apuros. O objetivo do livro de Apocalipse, no entanto, é revelar aquela parte da realidade que frequentemente ignoramos.

A nossa história começa com uma mulher. Ela está prestes a dar à luz a um filho, um descendente do rei Davi, e que deve governar o mundo com toda autoridade. Essa criança ao que tudo indica é Jesus, e consequentemente a mulher é Maria. Abrindo um pouco a cortina, essa mulher também é um símbolo do povo de Israel, mas não o Israel étnico, o Israel espiritual, fiel a Deus. Nos evangelhos, tanto Maria, quanto José são descritos como judeus praticantes e que levam Deus a sério. Além disso, a menção de sol, luz e 12 estrelas nos remete aos sonhos que os patriarcas de Israel tiveram sobre o futuro da sua nação. 

A seguir temos a introdução de um segundo personagem: o dragão. Ele quer devorar o bebê assim que ele nascer. Ora, se a mulher é tanto Israel, quanto Maria; o dragão é tanto o faraó, quanto o rei Herodes. Ambos reis recorreram ao genocídio e à opressão para tentarem se manter no poder. 

Mas é preciso abrir a cortina um pouco mais para ver a realidade totalmente. O dragão é claramente identificado no como “a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás”, e a mulher também é Eva. Estamos diante de um flashback, voltando à narrativa da queda da humanidade, em que a serpente enganou a mulher, levando-a a duvidar da bondade de Deus. O primeiro casal então se rebelou contra Deus ao comer do fruto proibido, e como consequência passa a experimentar a maldição em todas as esferas da vida. 

Contudo, ainda em Gênesis 3, em meio às maldições, Deus promete que um dia um descendente da mulher esmagará a cabeça da serpente e vai reverter todo o dano causado pelo pecado e restaurar todas as coisas. É cumprimento dessa promessa que celebramos no Natal: a vinda desse descendente, do Messias, do Salvador, de Jesus. A sua vinda é um divisor de águas na história da humanidade, pois através da sua vida, ministério e obra esse processo de restauração não tem mais volta. Nesse período, Jesus afirmou que viu Satanás caindo como um raio, sendo expulso dos céus, e não podendo mais exercer o seu papel de que nos acusar diante de Deus.  

Não tendo mais acesso aos céus, o Diabo foca as suas ações na terra. Ele não conseguiu devorar o Descendente (Jesus), e agora busca verazmente destruir a sua descendência (nós). Satanás nos ataca pessoalmente, tentando-nos ao pecado, a buscar nas coisas criadas aquilo que só o Criador pode nos oferecer. Ele nos ataca socialmente, agindo através de governos corruptos e opressores que encarnam a monstruosidade do dragão na sua forma de agir. Ele também pode nos atacar fisicamente, trazendo perseguição religiosa e até mesmo o martírio. 

Mas esses ataques contra nós estão sendo limitados por Deus. De formas diferentes, o livro de Apocalipse se refere a tempo de perseguição e sofrimento de 3 anos e meio. Na mentalidade apocalíptica, o número 7 indica completude e ao longo do livro, temos várias séries de sete: são 7 selos, 7 trombetas, e 7 taças, que quando abertos, tocadas ou derramadas trazem juízo sobre o mal e os que o praticam. O juízo de Deus é completo (sete), mas o sofrimento que o dragão pode nos causar é parcial e limitado (apenas 3,5).

Assim, o Natal segundo o Apocalipse é capaz de fundamentar a nossa esperança. Ele nos lembra que Deus está cumprindo a sua promessa de restauração e de reversão da queda e com a vinda de Jesus, esse processo não tem mais volta! Além disso, como Satanás foi destronado, não há nada que pode se colocar entre nós e o amor de Deus. E finalmente, por mais que o Diabo possa nos causar dano, temos a certeza de que o poder dele é limitado, afinal Jesus Cristo não é mais um bebê, mas está assentado à direita de Deus, governando o universo. Essa é a nossa esperança!


Raphael A. Haeuser
Coordenador do Didaquê
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