O Convite de Deus para Nós

Alguns anos atrás, eu estava tendo uma daquelas discussões de “fim de ano” com uma das minhas orientandas. Perguntei se as disciplinas e experiências do programa haviam esclarecido o seu chamado para o ministério. Eu ainda guardo a sua resposta no meu coração. Ela disse: “Se por clareza você quer dizer que eu entendo completa e especificamente o chamado de Deus para minha vida, a resposta seria ‘não’. Mas… eu entendo mais completamente a amplitude da obra de Deus no mundo e o convite de Deus para participar dessa obra, como algo essencial para a minha vocação.”

O que eu mais aprecio sobre esta resposta é o quão necessário é para nós compreendermos “a obra de Deus no mundo” para articular e buscar o que devemos ser na educação transformadora. A partir da história das Escrituras, podemos resumir “a obra de Deus no mundo” como o trabalho contínuo de redimir e restaurar o que foi perdido devido ao pecado, uma obra que se torna possível em Cristo. O trabalho dele ainda não acabou e nós somos chamados a participar dele. Nas Escrituras, o verbo kaleō, ou “chamar”, às vezes também pode ser traduzido como “convidar” (Lc 14:7–11). Quando Deus nos chama, Ele está nos convidando a nos juntarmos a Ele e a participarmos com alegria do que Ele está fazendo para redimir e restaurar nosso quebrantamento.

Quando pensamos na Sua obra de redenção e restauração, o que Deus está nos “convidando” a fazer na educação transformadora?

Pertencer a Cristo e pertencer à comunidade são cruciais para o processo de redenção e restauração. Sabemos que a educação transformadora é um meio pelo qual o Evangelho de Cristo é oferecido aos outros, à medida que os convidamos a “pertencer a Cristo”. No entanto, também convidamos essas pessoas a pertencerem a uma comunidade onde possam ser ‘conhecidas’ e ‘plenamente conhecidas’ também. No livro Rethinking Rights and Responsibilities: The Moral Bonds of Community (Repensando direitos e responsabilidades: os vínculos morais da comunidade), Arthur Dyck nos lembra que “pertencer” não é um adendo opcional ou um item de luxo para o bem-estar humano.[1] Pertencer à comunidade é essencial para o nosso bem-estar. Dyck sugere que isso é verdade para todos nós, mas é ainda mais importante para os mais vulneráveis. Em uma comunidade, as necessidades se torna conhecidas (de várias maneiras) e nossa proximidade das pessoas diminui nossa distância moral deles, enquanto aumenta a nossa responsabilidade. Assim, as salas de aula comunitárias aumentam os vínculos morais entre nós e nossos alunos.

Com essa proximidade moral em nossas salas de aula, surge outro caminho de redenção e restauração. À medida que interagimos com outras pessoas e entramos cada vez mais em suas vidas, somos “educados nas virtudes”. As quatro virtudes clássicas são temperança (ou autocontrole), prudência (ou sabedoria), coragem e justiça. Ao desenvolvermos essas virtudes uns com os outros, junto com as grandes virtudes teológicas da fé, esperança e amor, aprendemos uns com os outros a nos tornarmos um certo tipo de pessoa por meio da obra do Espírito. O que já fazemos em sala de aula é significativo para a formação dos alunos: atividades como aprender a compartilhar; aprender a ouvir; aprender a falar; e aprender com os outros. Quando aprendemos e praticamos essas virtudes juntos, vemos como elas são importantes para os vínculos morais necessários para a redenção e restauração. Mais especificamente, pense em como a sua sala de aula pode ser educada nas virtudes. Como podemos ajudar os alunos a desenvolver a sabedoria para entender o que é bom, certo, verdadeiro, nobre e justo (Fp 4:8-9) na busca da justiça? Como todos  nós podemos aprender a colocar as necessidades dos outros no mesmo nível das nossas (Fp 2:1-4) à medida que aprendemos sabedoria e autocontrole?

Nada do que fazemos em nossas salas de aula é insignificante na obra de restauração e redenção para a qual fomos chamados. Nenhuma prática promova o desenvolvimento de vínculos morais entre os alunos e outras pessoas, bem como nenhuma oportunidade para o exercício das virtudes necessárias ao bem-estar de todos são irrelevantes. Que convite recebemos de Deus! É um privilégio participar de Sua obra por meio da educação transformadora, compartilhando tanto o conhecimento da matéria, quanto a sabedoria, e assim ajudar os alunos a iniciarem as suas próprias jornadas de participação na obra de restauração e redenção de Deus. Que continuemos a dizer “sim” a este grande convite de Deus.

 

Wyndy Corbin Reuschling, PhD
Diretora Global dos Serviços de Ensino Superior
TeachBeyond

Trad. Raphael A. Haeuser (Coordenador do Didaquê)

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