Cultivando uma Cultura de Confiança e Incentivo

Nunca tive a intenção de trabalhar em uma escola confessional cristã. Na verdade, eu pretendia trabalhar em escolas públicas na Califórnia. Senti que era meu campo missionário; o meu chamado. Afinal, escolas públicas também precisam urgentemente de professores cristãos! Então, entrei de cabeça na minha graduação tendo sempre diante de mim esta pergunta: como posso mostrar Jesus aos meus alunos, mesmo que não possa falar diretamente o Seu nome?

Só muitos anos depois eu conheceria os termos “cosmovisão cristã” ou “integração de fé e aprendizagem”, mas Deus usou meu tempo na universidade pública para me preparar bem. Neste tempo, eu ponderei bastante sobre o que sabia sobre Deus pela minha vida e pela Sua palavra. Na etapa de credenciamento para se tornar professor, fomos fortemente encorajados a usar o conceito de “motivação intrínseca” com os alunos, em vez de depender de prêmios ou recompensas. Algo soou bem forte no meu coração. Sei que em minha vida não tento ser boa porque sinto que Deus me recompensará por minhas boas ações. Deus não me diz: “Kristina, comporte-se para que você possa ganhar uma estrelinha” ou quando eu erro: “Kristina, vá e volte uma casa”. Esse não é o meu entendimento de como funciona o Reino dos Céus. Procuro seguir a Sua vontade porque ela me aproxima dEle e do Seu coração. Que melhor motivação eu poderia pedir?

Enquanto estudava, também trabalhei em um programa de acompanhamento para uma escola cristã local. Meu coração doía cada vez que eu ouvia um colega ou aluno admoestar outro dizendo: “Seja bom porque Deus está te observando!” Eu queria muito que cada criança realmente conhecesse e compreendesse o amor de Deus por elas, e achei essa atitude uma tremenda falta de conhecimento da graça. Embora eu pudesse compartilhar livremente de Jesus ali, senti que de alguma forma o dano já havia sido feito. Afinal, é mais fácil se comportar quando se tem uma recompensa física à vista. Alcançar o intangível é difícil.

Quando comecei minha carreira, o que me levou às escolas cristãs eventualmente, me senti obrigada e determinada a tentar de forma sólida a encorajar um bom comportamento intrínseco. Os resultados foram impressionantes. Os alunos vieram e conversaram comigo quando estavam tendo dificuldades, pois admitir irregularidades publicamente poderia ter consequências, mas nenhuma vergonha pública. Um aluno extraordinariamente bem-comportado compartilhou que estava com medo de trocar de turma, onde tinha um professor que usava um sistema de cartões porque se sentia seguro sem esse sistema na minha turma. As recompensas viriam para a classe, é claro (eu faço tantos biscoitos que não tem como não compartilhar), mas elas eram compartilhadas em coletividade, em vez de ser algo que separava os outros do grupo. Servimos a um Deus de graça e de amor… até mesmo meus alunos mais exigentes acabaram se estabelecendo nessa rotina, e acredito firmemente que graça e amor consistentes tiveram muito a ver com isso.

A motivação intrínseca, no entanto, não significava que não falássemos sobre as consequências do mau comportamento. Um ano, tive um grupo particularmente turbulento de garotos da sexta série com quem era difícil me conectar. Fui incentivada a muitas vezes desistir dessas minhas convicções e começar a oferecer recompensas. A inspiração finalmente veio em uma oficina com outros educadores de escolas públicas (mais uma vez, minha mente sempre girava em torno dessas ideias para mostrar Jesus aos meus alunos). Criei com minha turma algo que apelidei de “Linha da Integridade”. Nomeei três seções principais: Começo, Crescimento e Maturidade. Como turma, decidimos como seria cada seção e todas as ideias foram postadas na frente da turma. Sempre que um aluno começava a sair da linha, eu pedia que ele “examinasse a si mesmo”, ou seja, avaliasse por si mesmo em que lugar ele se encontrava na linha. Eu disse que era uma reflexão no íntimo entre eles, eu e Deus. Fui honesta com meus alunos, explicando que eu cometeria erros (também podemos admitir que muitas vezes extrapolamos os limites, certo?) Os erros fazem parte da vida e ninguém está imune a eles. No entanto, podemos parar, avaliar e encontrar maneiras de demonstrar integridade. Esta é uma habilidade de vida, não apenas uma habilidade de classe!

Com essa linha, os problemas pararam. Conversas se abriram. À medida que os alunos aprendessem a confiar em mim, eu poderia aprender melhor como incentivá-los em seu crescimento. A cada ano, criar essa “Linha da Integridade” realmente se tornou minha parte favorita do início do ano letivo. Gostaria de compartilhar com os alunos que meu desejo pessoal de ter integridade em minhas ações veio do meu crescente amor por Jesus. Fazer o bem significa que estou mais perto Dele e conheço bem o Seu coração. Os alunos se abriam e compartilhavam seus desejos por isso também. A conversa continuaria ao longo do ano, pois revisitaríamos a linha. Em treze anos de ensino, não usei sistema de recompensa algum, e louvo a Deus por todas as conversas que tive sobre Ele, Seu amor e Sua graça que se seguiram como resultado. Através dessas conversas, minha sala de aula ficou cheia de confiança, encorajamento e amor um pelo outro. Continuo orando por meus alunos para que seus corações se tornem como os do Rei Davi: “Que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis a Ti, ó Senhor, minha Rocha e meu Redentor” (Salmo 19:14).




Kristina Day

Kristina está em seu sétimo ano como Líder de Equipe e professora mentora em Madri, Espanha. Ela tem muitos anos de experiência ensinando ensino fundamental e médio. Ela, em particular, adora compartilhar e incutir um amor pela leitura nos alunos. Ela tem uma paixão pela Espanha e por compartilhar o amor de Deus à sua comunidade através da construção de relacionamentos com aqueles ao seu redor.

Texto original disponível em: https://teachbeyond.org/article/cultivating-a-culture-of-encouragement-and-trust

Traduzido por Dave G. Farias.

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