A Saúde Psicoemocional do Educador

(série Saúde Integral)

O convite para se pensar no desenvolvimento psicoemocional do professor me leva a pensar no amor. Um sentimento amplo, uma decisão a fazer a cada relacionamento, uma ação a empreender, uma emoção espontânea. Pode-se medir o amor? Segundo Sue Jhonson, autora da obra A Terapia do Afeto, três pontos podem ser considerados: a acessibilidade, a receptividade e o engajamento. 

O quanto o docente torna-se acessível? Pode-se obter a sua atenção facilmente? Pode-se conectá-lo? O professor deixa claro que o aluno é especial? Como aluno, estou me sentindo solitário ou excluído do rol de relacionamentos deste docente? Posso compartilhar meus sentimentos mais profundos com esse professor?

O quanto o professor torna-se receptivo? Se o aluno precisar de conexão ou conforto, este professor está disponível? Este docente emite sinais com os quais o aluno pode aproximar-se? Quando o aluno sente-se inseguro, ele sabe que o professor o apoia? Mesmo quando houver conflitos entre o docente e o aluno, este sente-se importante para o seu professor? Se o aluno precisar estar seguro de sua importância para o professor, ele vai tê-la?

O quanto o educador torna-se engajado? O seu aluno sente-se confortável ao seu lado, e pode nele confiar? Pode confiar neste docente em quase tudo? O aluno sente-se confiante com este professor, mesmo à distância? Este professor importa-se com as alegrias, sofrimentos e temores dos seus alunos? Este educador sente-se seguro o suficiente para assumir riscos com os estudantes?

A resposta franca ao bloco de perguntas relativas às três áreas pode mostrar que o docente está no caminho certo para uma ligação segura com os estudantes e para a ampliação de vínculos. Compartilhar tais perguntas e conversar com alguém a respeito, talvez buscando ali um feedback, pode ser o primeiro passo para possibilitar conexão entre o educador e seus alunos. A percepção dos estudantes quanto ao professor ser acessível, receptivo e engajado, equivale à visão que o educador tem de si mesmo e do quanto a relação entre os dois é segura.

Essa é, na verdade, uma forma de medição do amor do educador pelo aluno. Esse cruzamento sagrado, pode-se dizer, antecipa que se decida “estar à disposição de uma carreira psicoemocional, antes mesmo de uma carreira profissional”. Steve Adams, educador, afirma ser necessário “termos Ciência”, diminuindo assim a velocidade em cruzamentos relacionais, no sentido de buscarmos eleger o respeito e a elegância em favor do outro. Durante a ação, “sermos a favor do outro”, numa atitude interna, pode nos traduzir externamente em atos de bondade.

Podemos assim construir uma reputação, uma trajetória, um histórico de gratidão, e nos tornarmos gratos, convidativos, atraentes e, por que não, alegres e contentes. Mais do que professores, o importante, na visão do desenvolvimento psicoemocional, é nos tornarmos educadores antes na família, com amigos, vizinhos, colegas, clientes, estranhos. Enfim, que esta educação transformadora que utiliza a visão do amor possa alcançar a todas as pessoas que me rodeiam, que por sua vez passam a contribuir com minha vida.

Compreender que preciso manter-me educador significa, por outro lado, investir constantemente no próprio aprendizado, pois quando se aprende, se aplica. Gosto de pensar que temos um mestre a seguir no que se refere ao amor, alvo de todas as profissões quando se trata do seu propósito maior. Talvez a melhor descrição, seja a descrita em 1Coríntios 13.4-7: “o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Jesus Cristo chamou de “novo” este mandamento, e Ele mesmo foi exemplo para a nossa possível prática, tornando-se servo, a nosso favor; dando-se a si mesmo por nós, a fim de remir-nos de todo o mal; levando em seu corpo os nossos pecados (estilo de vida) sobre o madeiro; dando a própria vida por nós; fazendo constante intercessão por nós; compadecendo-se de nossas fraquezas; socorrendo-nos ao sermos tentados; exercendo paciência com nossos pecados; perdoando-nos os pecados; purificando-nos de toda a injustiça; dando-nos plenitude de vida; preparando-nos um lugar para estarmos com Ele.

Como Ele mesmo afirma em 1Jo 3.18: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de boca, mas em ação e em verdade” A saúde psicoemocional do educador deve ser constantemente vigiada. Sabe-se que quando se perde a noção do que se causa ao outro, é porque já se adoeceu.

Precisamos estar alertas sobre nossos conteúdos, nossos valores, nossas verdades, nossas crenças. É preciso ter um olhar empático para com nossos liderados, uma atitude solícita, uma postura de aceitação, uma decisão pelo perdão, uma quebra constante de preconceitos, e através do serviço prestado demonstrar este amor. O verdadeiro educador é que o que cuida, o que sustenta, o que orienta, o que reconcilia, o que nutre. O que estou inspirando? Pergunte ao seu aluno.

Juçara Tonet Dini

É jornalista, especialista em Terapia Familiar Sistêmica, Psicologia Organizacional e Teologia. Fundadora da Dinâmica Comunicação, é diretora nacional da TeachBeyond Brasil.

Foto por Trevor Harder (Instagram: @trevorjharder). Usado com permissão.

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