O Deus Trino e a Formação do Caráter do Educador

(série Trindade & Educação)













Uma das armadilhas da educação formal é o senso de completude de jornada ao término de uma etapa educacional. Por mais que um aluno entenda que sempre existe mais para aprender, quando ele se gradua pode pensar que está apto e completou a jornada. Por exemplo, por mais que seja verdade que ao completar uma licenciatura pode-se lecionar, o senso de “estou apto” não deveria sucumbir ao senso de “estou pronto”.

Este mesmo pensamento está presente no cristianismo naquilo que muitos afirmam sobre a vida eterna. Muitas vezes escutei que: “quando você chegar no céu tudo vai ficar claro, você vai entender todas as coisas”. No entanto, quando Jesus fala da vida eterna em João 17:3, Ele afirma: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. A vida eterna é sermos alunos. Podemos afirmar isso pelo tempo verbal usado no verbo “conhecer” no original. O autor bíblico está indicando, ao utilizar esse verbo no infinitivo, que o conhecer é contínuo — a vida eterna é continuamente conhecer a Deus.

Assim, ninguém nunca completará a tarefa. Por toda a eternidade passará buscando entender quem Deus é. Isso é totalmente lógico dentro da perspectiva de que se a criatura compreendesse tudo e se esse tudo incluísse a completude de quem é Deus — Deus sendo infinito e a criatura compreendendo o infinito — ela seria do mesmo tamanho que o Criador. Ela assim, se tornaria Deus! O senso de que cheguei no fim da jornada faz parte do imaginário humano que ele pode ser como Deus.

Se a vida na eternidade é ser aprendiz, o educador é, sem nenhuma falsa modéstia, um eterno aprendiz. Somos chamados a estarmos em constante transformação e construção. Deus nos chama à não pararmos de aprender, por agora e por todo o sempre. Esta percepção de que a jornada como aprendiz é interminável flui da simples tarefa de definir quem Deus é. O cristianismo tem chamado a existência de Deus — no Pai, no Filho e no Espírito Santo — de Trindade. Até hoje, apesar de ter criado uma expressão para descrever e simplificar este conceito de um só Deus que existe em três pessoas, ninguém jamais será capaz de explicar a totalidade do mistério de quem Deus é, simplesmente porque um Deus infinito tem sua própria existência em um conceito que vai além da capacidade humana.

Assim, a simples existência de Deus em Trindade nos conduz a uma percepção de pequenez, de constante necessidade de aperfeiçoamento e de uma santa insatisfação com quem somos atualmente.

Apesar de infinitude divina e da nossa incapacidade de entendê-Lo completamente (mesmo utilizando toda a eternidade), na sua Palavra esse mistério é, em parte, revelado. Mesmo sendo complexo, Deus nos convida a um entendimento possível e pessoal de Sua existência. E como Deus é amoroso, Ele nos revelou tudo o que necessitamos hoje para sermos bons aprendizes. Todavia, por ser infinito, Ele continuará a se revelar por toda a eternidade para aqueles que decidiram ser aprendizes dEle neste tempo.

A sala de aula de Deus, hoje, não é exclusiva. Todos estão dentro dela ao nascer. O universo é Sua sala de aula. A vida é nossa experiência contínua de sermos um bom aluno de Deus. A decisão de segui-Lo nos torna aptos a continuarmos sendo seus alunos no porvir. Todavia, como alunos, podemos nos distrair com coisas dessa sala de aula, coisas essas que foram criadas como instrumentos didáticos do grande Educador, mas que podem se transformar em objeto máximo de nossas vidas. Ou então podemos nos concentrar na verdadeira tarefa — a de conhecer o Educador.

Se desejo ser um bom educador, devo me concentrar em quem é Deus, sem perder o foco que a tarefa de apreender é primordial para os Seus discípulos. A Trindade orienta a formação do caráter do professor simplesmente por existir, chamando-nos a não abandonar a posição de eternos alunos em constante desenvolvimento. Se percebo isso, tenho maior possibilidade de melhorar constantemente como ser humano e, por conseguinte, como professor.



Arthur V. G. Lupion

É especialista em Administração pela FGV, mestre em teologia ênfase em ministérios formativos pelo SBPV e doutorando em ministério com ênfase em liderança Cristã pelo Dallas Theological Seminary. Já pastoreou e atualmente trabalha com formação teológica, é Diretor do TeachBeyond Uruguay e coordenado do FOCO em Porto Alegre.

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