Uma vida equilibrada e bem vivida
Uma vida equilibrada e bem vivida
Um tributo a Steve Chilcraft
Tenho corrido com esforço até o fim, conservando a fé por todo o caminho. Tudo que existe atrás de mim agora é a ovação – o aplauso de Deus! Submeta-se a isso, pois ele é um juiz honesto.
2 Timóteo 4.7,8 – A Mensagem
Após a reunião do Comitê Global, em junho de 2019, Steve e três amigos com a mesma idade, incluindo eu, fizemos uma viagem de cinco dias pelas belas montanhas de Alberta-BC até as cidades costeiras de Vancouver e Victoria. Longos trechos de estrada percorridos nos fizeram falar de histórias antigas e lutar pelo controle do celular a fim de demonstrar a superioridade das nossas playlists no Spotify. Ninguém ficou surpreso que o historiador, teólogo, colecionador de selos, analista político e apoiador ávido de tudo relacionado a Milton Keyes, Steve Chilcraft, teve a melhor seleção de músicas de sucesso, que inclusive, ele conhecia de cor.
Seu conhecimento da cultura pop não foi algo novo, já que Steve sempre demonstrou para como prosperar em nossa cultura sendo seguidor comprometido de Cristo. Ele modelou para nós uma vida equilibrada, totalmente dedicada a Deus e engajada com as complexidades e preocupações de uma cultura secularizada. Além disso, sua memória ou seu gosto musical eclético deram o tom da ocasião, embora ambos nos deixassem balançando a cabeça de vez em quando. O que nos surpreendeu foi o fato de ele cantar junto em tom e melodia, o que é mais do que poderiam fazer alguns dos cantores que ele escolheu.
Essa crítica aos artistas não se estende a Paul Simon, cujo Slip Sliding Away (1977) me pareceu uma espécie de testemunho contrário à vida de Steve. Nas letras de Simon, três pessoas com três paixões diferentes, cada uma permitindo que seus sonhos escapassem quando as provas da vida os dominavam. Embora, certamente houvesse desafios na vida de Steve, pode-se dizer enfaticamente que ele fugiu de suas paixões de todo o coração até o fim. Não houve escorregões e deslizes. Juntos, os notáveis interesses de Steve eram uma maravilha de se ver. Quem é o proprietário de uma coleção de selos que ocupa um cômodo para armazenar?
O equilíbrio notável de Steve não vinha de reprimir interesses e habilidades dados por Deus. Seu amor por selos foi balanceado por uma excelente biblioteca teológica, que por sua vez, disputou a atenção com uma maravilhosa coleção de vídeos, troféus de todo o mundo e um lindo quintal com alimentadores de pássaros e paisagismo invejável. A vida de Steve foi vivida em cores vivas e seu equilíbrio foi derivado do seu foco em Cristo, que reinou como Senhor sobre todos os seus amores e ações.
Aprendemos com Steve que o equilíbrio do cristão não é suprimir as qualidades maravilhosas e os interesses fascinantes que Deus lhe dá em favor da piedade. Pelo contrário, a piedade e a semelhança com Cristo ocorrem quando celebramos os dons vindos de Deus, fundamentando motivações e expressões nas verdades da Sua Palavra.
1. Os primeiros anos com os ministérios do Janz Team (antes de 2009)
Uma das cidades verdadeiramente bonitas da Europa, Minsk, é onde muitos dos líderes do Janz Team conheceram Steve. O ano era 2005 e agradecemos a Nigel Spencer, nosso diretor do Reino Unido, pois foi ele quem trouxe Steve para a nossa comunidade. Enquanto Nigel era a credibilidade inicial de Steve, ele rapidamente se distinguiu como conhecedor das agências missionárias e por sua contribuição para o trabalho do Reino. Seu treinamento bíblico e inclinação para ver o mundo através de uma lente teórico-histórica esclareceram nosso pensamento sobre os processos e propósitos da missão, enquanto sua simpatia amigável e graciosa fez dele um encaixe natural em nossa organização multinacional.
Ele amava pessoas de todas as culturas e origens e era amado por elas. Pareceu-nos que Steve era um TeachBeyonder de coração e mente antes de desempenhar um papel e dever. Ninguém do pequeno grupo reunido na passarela de Minsk, há 15 anos, poderia imaginar que dentro de cinco anos a missão Janz Team seria substituída por uma nova visão, conhecida hoje como “TeachBeyond”. Além disso, ninguém, incluindo Steve, poderia pensar que essa transição se basearia extensivamente em suas qualidades de caráter, dons espirituais e experiências de vida.
2. Janz Team se torna TeachBeyond (2009-2015)
Em 2012, todos os vários ramos da antiga organização do Janz Team, exceto a Suíça, haviam se reunido sob um novo mandato educacional e um novo nome, e Steve era a chave para facilitar essa transição. Por que? Primeiro, e mais importante, porque ele estava disposto e vocacionalmente preparado para ver como Deus poderia usar o desenvolvimento de equipes e o discipulado na missão. Em outras palavras, Steve era um educador por dom e chamado. Durante a próxima década, como líder do conselho do Reino Unido e do Comitê Global da TeachBeyond, Steve nunca precisou ser pressionado a assumir o trabalho. Quando eu recomendei que ele fosse nomeado presidente do Comitê Global, seus colegas concordaram por unanimidade porque confiavam em seu julgamento, valorizavam sua vasta experiência, respeitavam seu compromisso com os valores históricos e a missão principal do Janz Team-TeachBeyond e apreciavam seu compromisso com a Igreja e a Grande Comissão. Essas foram as razões que verbalizamos, no entanto, todos sabíamos que havia outro aspecto que era pelo menos tão importante quanto essas outras qualidades: a personalidade de Steve. Os membros o escolheram para presidir por quem ele era, não apenas pelo que ele havia feito ou acreditado. Em retrospecto, foi uma decisão crucial ordenada por Deus.
Às vezes, a grandeza é medida pelo que não aconteceu e não pelo que aconteceu. Visto dessa maneira, podemos dizer que nos unimos em propósito pelos continentes. Harmonia e dedicação caracterizaram nosso trabalho. Alegria e paz estavam presentes mesmo em circunstâncias difíceis. Durante a última década de agitação dramática, não nos lembramos de uma palavra dura de Steve ou de uma expressão cruel, de uma falha em seguir o devido processo ou de um espírito teimoso e amargo. Antes, havia graça, bondade, paciência, tolerância para com os outros, honra e respeito. Essas eram as qualidades que Deus sabia que seriam exigidas da presidência, dadas as tensões que estavam por vir.
Quando ele assumiu sua posição, nenhum de nós percebeu que ele seria exatamente a pessoa certa para trabalhar conosco no desenvolvimento de nossa Constituição e em uma série de políticas e procedimentos. Um líder destacado e performático não teria tolerado o trabalho tedioso que precisava ser feito. Entre 2010 e 2015, criamos literalmente uma estante cheia de cadernos enormes e Steve ajudou o Comitê Global a trabalhar para criar os documentos fundamentais e a estrutura organizacional de que desfrutamos hoje.
A maravilhosa contribuição de Steve nessa área não se resumia em perseverança diante do tédio enfadonho. Sim, ele provavelmente levou um ano de trabalho apenas lendo e planejando sua função de presidente, ainda que também tivesse momentos de diversão à sua maneira. Isso ocorreu porque Steve era uma pessoa que valorizava profundamente a amizade e o companheirismo, os quais se tornaram correlatos surpreendentes deste trabalho detalhado. Para garantir que nossas reuniões transcorressem sem problemas, Steve e eu nos encontramos muitas vezes em Londres, onde oramos juntos pelas reuniões e pensamos no que era necessário para promover o trabalho. Cada um de nós viajava uma hora para a nossa reunião – ele de sua amada cidade Milton Keynes e eu de Horsham – e nos encontrávamos na “Friends House” do Quaker, do outro lado da rua da Estação Euston.
Essas reuniões são algumas das lembranças mais felizes que tenho da década 2009-2019. Sempre concordamos em acrescentar cerca de duas horas ao nosso encontro, para que eu pudesse fazer perguntas sobre história, teologia, política e cultura. Sério, Steve era um assistente do Google de carne e osso que, como o Google Assistant, sabia quase tudo, e que, como o Google Assistant, nunca ficava bravo, entediado, defensivo, crítico ou ferido por qualquer coisa que eu dissesse ou perguntasse. No entanto, ao contrário do Google Assistant, seus olhos brilhavam quando falava. Isso ficava mais evidente, quando falava dos costumes sociais britânicos, que Steve podia explicar de maneira inteligente, graciosa e esclarecedora o porquê do modo britânico ser melhor do que outros. Adicione uma xícara de chá e um biscoito, e realmente não havia nada mais divertido no planeta. Isso pode parecer engraçado ou até irrelevante, mas, pensar no que não aconteceu coloca seu significado em foco: nunca houve tensão entre a cadeira e a liderança. Em vez disso, confiança, respeito, bom humor e carinho sustentaram toda a nossa interação, independentemente de estarmos discordando ou comemorando.
Como podemos medir a contribuição incrível que foi para nossos anos de transição?
3. Serviços do TeachBeyond Global (2015-2019)
A curiosidade e o senso de aventura de Steve provavelmente aumentaram seu entusiasmo por uma das melhores estratégias que o Comitê Global desenvolveu para criar solidariedade organizacional. Esse é o esforço que o Comitê Global faz todos os anos para realizar uma reunião prolongada em uma área em que a TeachBeyond está trabalhando. Steve foi um dos principais defensores dessa estratégia porque reconheceu a ameaça que a separação geográfica e as diferenças culturais representam para o nosso trabalho coletivo. A generosidade de muitos membros do Comitê Global e de outros colaboradores tornou possível reunir-se nessas áreas sem sobrecarregar os membros de nossa equipe ou seus projetos com o custo.
Logicamente, o Brasil estava no topo da lista para visitar, pois era o trabalho mais antigo e mais maduro. Aqui, em 2016, sob a liderança de Steve, o Conselho passou por todas as políticas em seu manual. A agenda era altamente ambiciosa, mas o trabalho foi concluído a tempo e ainda restou um dia para ver o Cristo Redentor. Minha esposa Beverley e eu tivemos o privilégio de visitar Steve, Ruth, Andrew e Rachel em sua casa, mas, para quase todos os outros, a nossa visita à grande estátua que supervisiona o Rio também foi a oportunidade de conhecer Ruth pela primeira vez. Uau! Ela foi incrível. As pessoas a amavam. Se Steve tinha dignidade, Ruth tinha exuberância, se Steve criava calma e racionalizava o irracional, Ruth inspirava os outros. Juntos eles foram a tacada certa em nosso braço organizacional.
No ano seguinte (2017), Steve liderou o Comitê Global para o Sudeste Asiático, onde nosso trabalho havia crescido bastante no espaço de alguns anos. Em mais de uma ocasião, Steve foi chamado a conhecer pessoas do alto escalão da sociedade e a dirigir-se a convidados, o que ele fez com dignidade, graça e excelência. Articulado, confortável diante de pequenos e grandes grupos, dotado de um dom para encontrar uma palavra apropriada, ele era um presidente do Conselho do qual podíamos nos orgulhar. Embora ele próprio estivesse alinhado teologicamente com o cristianismo evangélico histórico, e geralmente conservador em suas preferências pessoais, não era um radical de mente estreita que ofenderia por princípio ou usaria um púlpito para encerrar discussões. Ele completou 68 anos nessa viagem, mas sua mente e atitudes eram as de alguém com trinta anos – um fato que ele reconhecia e atribuía a seus filhos. Precisávamos de um porta-voz nesses países sensíveis que fosse moralmente conservador, mas, com espírito caloroso e acolhedor. Precisávamos de alguém que tivesse aprendido humildade, que pudesse ouvir e acenar educadamente, mesmo quando sabia mais do que seu anfitrião. No caso de Steve, isso aconteceu com frequência, por isso, somos gratos por termos tido um porta-voz tão qualificado nos representando.
Em 2017, estávamos viajando muito e seu grande amor pela aventura e curiosidade natural sobre tudo excedia a capacidade do corpo de acompanhar. Uma lesão, por exemplo, em Manilla, deixou-o abatido por vários meses, mas ele era um intrépido explorador fascinado pelas pessoas e pelo mundo que eles criaram. Em outra época, ele teria se juntado a Clive no sul da Ásia ou a Livingstone na África central. Em vez disso, ele se contentou com viagens conosco, meros mortais, como ilustra sua viagem ao oeste do Canadá no ano passado.
4. A transição final (2019-20)
Um ano antes de sua morte, quase no mesmo dia, Steve estava no Canadá realizando seu último ato importante para a TeachBeyond: liderando o Comitê Global em sua nomeação de David Durance como próximo presidente da TeachBeyond e do Dr. Eivor Oborn como sucessor de Steve no cargo de Presidente Global. Ele fez a última volta de sua corrida TeachBeyond e, como eu, estava planejando mais uma volta que faríamos juntos. Mais especificamente, imaginávamos escrever e ensinar fora do CATE Center, que ele estava ajudando a estabelecer como um campo de reflexão para o TeachBeyond. Ele havia concordado em ser um bolsista de pesquisa que exploraria temas em educação transformacional a partir de uma perspectiva teológica histórica.
Quando perguntei se algum comitê global gostaria de permanecer no Canadá após a reunião do ano passado para se juntar a mim em uma pequena excursão pelas Montanhas Rochosas do Canadá e costa oeste, Steve foi o primeiro a levantar a mão. Wolfgang Zschämisch e Alan McIlhenny juntaram-se a nós para criar um quarteto heterogêneo.. Até nossas excentricidades nos divertiram, incluindo o modesto senso de moda de Steve. Estes incluíam suas marcas: um chapéu branco, camisas de algodão desabotoadas e cabelos desgrenhados.
Quando não estava cantando, Steve nos animava por horas com histórias que deveríamos saber. Havia bastante sorvete para nos refrescar, algo que ele gostava muito. Junto comigo e com Wolfgang, experimentamos sorvete do Rio até Manila ao longo dos anos. Ninguém aproveitou mais da viagem do que Steve, não apenas pelo cenário e senso de aventura, mas, também, pela companhia que tinha. Ele valorizou seus amigos e acho que foi especialmente assim após a morte repentina de Ruth. Esse acontecimento profundamente triste deixou em seu coração um buraco cavernoso que todos tentamos preencher, mas, de alguma maneira, não foi suficiente. Novos horizontes estavam se abrindo, e nossa esperança era que, com o tempo, houvesse cura, mas Deus tinha outro caminho.
Durante seus anos maravilhosamente frutíferos com o TeachBeyond, ele era como o apóstolo que se esforçava até o fim e se apegava à fé. Todos no TeachBeyond foram e são beneficiados por seu trabalho, um legado que nos guiará e apoiará nos próximos muitos anos. Adeus, bom amigo. Estamos tão felizes por você estar com nosso Senhor, felizes por teres sido curado e se reencontrar com Aquele que amava tão exuberantemente. Você correu duro até o fim, acreditou o tempo todo. Tudo o que resta agora são os aplausos de Deus! Espero que você também nos ouça aplaudindo, pois permanece muito admirado e amado.
George M. Durance
Silverton, Oregon
1 de julho de 2020
Traduzido por Tami Sato de Carvalhaes
Revisado por Ednardo Duarte
1. Nós Buscamos Transformação
A expressão “educação transformadora” está virando lugar comum. Nesta série, abordaremos 4 princípios essenciais para que ela aconteça.
O VÍRUS
De um vírus ouvimos rumores
Causando em nós temores
Vieram de terras distantes
Algo que nunca vimos antes
Rapidamente o vírus espalhou
Contaminando todos que encontrou
Milhares de vidas sendo ceifadas
E as pessoas apavoradas
Ainda tentando entender
Buscando a razão de ser
De tanto sofrimento e tanta dor
Responde-nos, nosso Senhor
Tudo à nossa volta mudou
Às pessoas, o vírus isolou
Não podemos nem nos tocar
O parente, ou o amigo abraçar
Ir à rua, à praça, à igreja
Nos lugares onde a vida sobeja
Para falar, conversar, para ouvir
Para viver, para interagir
Mas, o problema não para por aí
Há uma coisa que ainda não entendi
Esse vírus que ataca o pulmão
Também afetou a mente e o coração
Não conseguimos nos entender
Discordar, sem ofender
O vírus foi politizado
E cada um foi para o seu lado
Mas não há lado para escolher
Doente ou desempregado, tanto faz, tudo é sofrer
Nossa dor, pranto e gemido
Não tem cor, não tem partido
Livra-nos Senhor desta pandemia
Traz de volta a nossa alegria
Cura-nos e nos acalma
Mas cura também, o coração e a alma
(Adriano Caires – Missionário em Brasília)
Do Medo à Fé
À medida que enfrentamos novas ameaças de doenças e perturbações em todo o mundo, educadores estão em uma posição única para orientar seus alunos do medo para a fé.
COVID-19 e A Marca da Besta
Assistindo às notícias há alguns dias, vi fotos e vídeos daqueles que protestavam contra a quarentena do COVID-19 em exibição total. Estou ficando cansado de como certos textos bíblicos são anexados a certos movimentos e manifestações políticas – textos que são, francamente, mal utilizados e mal compreendidos. Infelizmente, o cristianismo acaba sendo deturpado no processo.
Com a insistência de minha esposa (que acha que eu deveria ser um pouco mais sincero sobre esse tipo de coisa), deixe-me oferecer alguns pensamentos que podem ser úteis para você ter em mente quando você vê fotos como essa flutuar nas notícias e nas mídias sociais .
A Marca da Besta
Não conheço nenhum estudioso ou teólogo bíblico respeitável que apoie que a quarentena ou vacina da COVID-19 está relacionada à “marca da besta”. Para iniciantes, em Apocalipse, a “marca da besta” não é de forma alguma um procedimento médico. Provavelmente, nem sequer é uma marca física ou visível. Ao contrário de algumas das teorias mais indutoras de medo que no passado ganharam força em alguns círculos evangélicos, a “marca” também não é algo que poderia ser acidentalmente adotada.
Por quê? Porque a marca da besta (Ap 13: 16-18) é uma marca que está intimamente ligada à adoração à besta (13:12, 15; cf. 19:20; 20: 4). Assim, a marca da besta é uma marca de lealdade e devoção à besta.
Além disso, quando você compara aquelas passagens em que a marca da besta é discutida com passagens como Rev. 7 e 14, é plausível pensar que a marca da besta é provavelmente um sinal que o identifica como algo que você já é – a saber perverso e mau, uma pessoa do dragão. Digo isso porque quando você lê Rev. 7: 1-8 e 14: 1 (onde a marca do Cordeiro é discutida), você notará que é uma marca dada ao povo de Deus, servos de Deus, a fim de identificá-los como tal e, é claro, para protegê-los. Eles recebem a marca do Cordeiro porque já estão unidos ao Cordeiro.
Parece bastante evidente que tudo isso acontece porque essas duas marcas – a marca da besta e a marca do Cordeiro – devem ser vistas como duas realidades polares, dois sinais opostos, marcando como se fossem dois tipos diferentes de pessoas, a saber, os iníquos, por um lado, e os justos, por outro.
O que tudo isso significa é que a “marca da besta” é provavelmente uma marca espiritual e não visível; é uma marca de lealdade e adoração e, portanto, não é algo que você poderia aceitar acidentalmente.
Portanto, você não precisa ter medo de obter a marca da besta tomando uma vacina – a menos que, é claro, planeje tratá-la como uma espécie de expressão simbólica ou “sacramento profano” (desculpe o oxímoro!) De sua vontade e rejeição pública da fé cristã que você despreza. Se esse é você e esse é o seu plano, não é a vacina que é o problema.
Sobre aquela besta….
Qualquer interpretação do Apocalipse que resulte em “a besta” se tornando o foco central (e temido medo) de sua escatologia definitivamente sugere que você não entendeu o livro. O fantasma nerônico adoraria a atenção que você está dando a ele, mas, francamente, ele não merece.
Prova de que prestamos muita atenção a ele talvez seja clara quando fazemos a seguinte observação: a maioria dos cristãos conhece apenas os textos que falam sobre a “marca da besta” (por exemplo, Ap 13: 16-18) e não sobre aqueles textos que falam sobre a “marca do Cordeiro” (por exemplo, Rev. 14: 1).
Isso é interessante para mim. Quero dizer, é tudo compreensível, suponho. Na cultura popular, afinal, a “marca da besta” recebeu muito mais atenção, tornando-se uma obsessão para muitos. (As bestas são barulhentas e chamam a atenção; os cordeiros podem passar mais despercebidos e ignorados.) Penso, porém, que talvez seja melhor obter a teologia de outros lugares que não sejam os filmes sensacionalistas da cultura pop e os livros de ficção mais vendidos. Uma mera sugestão.
Falando em sensacionalismo, é interessante como as coisas entram e saem da maneira que acontecem. Mesmo em nossas vidas, por exemplo, a “marca” foi atribuída primeiro aos números de seguridade social, depois aos cartões de crédito. Agora, aparentemente, certas interpretações da quarentena do COVID-19 estão fazendo suas próprias contribuições à sabedoria evangélica.
Muito desse sensacionalismo não apenas revela ignorância sobre o texto bíblico, principalmente no que diz respeito ao seu contexto histórico, mas como pastor devo acrescentar que o que mais me irrita é como essa ignorância serve para espalhar um medo desnecessário entre o povo de Deus – um bom lembrete de que a teologia tem consequências.
De quem é a revelação?
Interpretações populares de “Revelação” são muitas vezes esquecidas (negligentes?) Do fato de que este livro é “A revelação de Jesus Cristo” (Ap 1: 1). Muitas pessoas (principalmente nas mídias sociais) tratam isso como se fosse a revelação do dragão e sua ira. Os tolos professores de escatologia concentram sua atenção em infinitas especulações sobre o Anticristo, a “marca da besta”, etc., que eu realmente me pergunto se eles acham que o Apocalipse é principalmente sobre revelar o satânico.
Duas coisas a dizer sobre isso: (1) Tais suposições sobre o Apocalipse tratam Satanás como a estrela das especulações do fim dos tempos, gerando, mais uma vez, um medo desnecessário nas pessoas boas. E (2), tais visões estão simplesmente erradas: nem o dragão nem a besta são as estrelas do espetáculo; portanto, eles não devem ser o foco de nossas obsessões.
Pelo contrário, o objetivo do Apocalipse é revelar e descobrir a vitória do Cordeiro e a vitória que o Cordeiro compartilha com seu povo. Jesus é o foco. Francamente, isso é uma notícia bastante antiga. De fato, são 2.000 anos de notícias. É teologia básica. E, no entanto, é ignorado.
Suspeito, porém, que muito do hype escatológico equivocado tenha muito pouco a ver com teologia e muito mais com certas ambições políticas que poderiam ser obtidas armando textos bíblicos importantes (por exemplo, Ap 13) para seus próprios fins – uma espécie de coisa nerônica / bestial a se fazer, realmente. Essa é a política do nosso tempo, no entanto.
Vamos jogar o jogo
Vamos fingir que a besta e sua marca estavam, de fato, associadas à quarentena de COVID-19 ou a alguma vacina relacionada, pois esse sinal insinua. (PSA: não é, mas apenas finja comigo por um minuto.) Mesmo assim, se for o caso, faz muito pouco sentido bíblico lutar contra a fera com coisas como a bandeira americana e a 2ª Emenda (você pode estar interessado em saber que vi um manifestante com uma arma; qual é o sentido de protestar com uma arma?).
De qualquer forma, protestar contra “a besta” e sua “marca” com ameaças das armas deste mundo é combater o inimigo com seus caminhos. Mas você não pode avançar na agenda de Deus com violência ou com ameaças de violência. Se você vive pela espada, bem, você sabe …
De muitas maneiras, então, quando uma pessoa tenta avançar o Reino de Deus por meio da violência, ironicamente, mostra-se ter mais em comum com a besta e o dragão do que com o Cordeiro. Somos ensinados que, ao contrário, como cristãos, vencemos o inimigo “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do [nosso] testemunho” (Ap 12:11).
Em outras palavras, vencemos pelos caminhos de Cristo, não pelos caminhos de César. Portanto, se e / ou quando vir sinais tolos como esses, não deixe que eles induzam medo ou pânico em seu coração ou mente. Honestamente, não lhes daria mais credibilidade do que um rápido revirar dos olhos.
O fardo do teólogo
Se você é um estudioso ou teólogo bíblico cristão, agora é a hora de ajudar outras pessoas a navegar pela grande quantidade de informações por aí. Talvez você possa procurar maneiras de fornecer orientação bíblica e orientação teologicamente coerente para aqueles que são desinformados ou desinformados quando se trata de escatologia – até porque isso é entendido à luz da pandemia do COVID-19.
Se você é pastor ou líder de igreja local, incentivo-o a aproveitar os recursos respeitáveis em escatologia para passar para sua congregação. Há estudiosos altamente respeitáveis escrevendo sobre o assunto – acadêmicos comprometidos com pesquisa cuidadosa, reflexão meticulosa e aplicação oportuna. A escavação desses recursos será um tempo bem gasto.
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