Uma vida equilibrada e bem vivida

Uma vida equilibrada e bem vivida

Um tributo a Steve Chilcraft

Tenho corrido com esforço até o fim, conservando a fé por todo o caminho. Tudo que existe atrás de mim agora é a ovação – o aplauso de Deus! Submeta-se a isso, pois ele é um juiz honesto.
2 Timóteo 4.7,8 – A Mensagem

Após a reunião do Comitê Global, em junho de 2019, Steve e três amigos com a mesma idade, incluindo eu, fizemos uma viagem de cinco dias pelas belas montanhas de Alberta-BC até as cidades costeiras de Vancouver e Victoria. Longos trechos de estrada percorridos nos fizeram falar de histórias antigas e lutar pelo controle do celular a fim de demonstrar a superioridade das nossas playlists no Spotify. Ninguém ficou surpreso que o historiador, teólogo, colecionador de selos, analista político e apoiador ávido de tudo relacionado a Milton Keyes, Steve Chilcraft, teve a melhor seleção de músicas de sucesso, que inclusive, ele conhecia de cor. 

Seu conhecimento da cultura pop não foi algo novo, já que Steve sempre demonstrou para como prosperar em nossa cultura sendo seguidor comprometido de Cristo. Ele modelou para nós uma vida equilibrada, totalmente dedicada a Deus e engajada com as complexidades e preocupações de uma cultura secularizada. Além disso, sua memória ou seu gosto musical eclético deram o tom da ocasião, embora ambos nos deixassem balançando a cabeça de vez em quando. O que nos surpreendeu foi o fato de ele cantar junto em tom e melodia, o que é mais do que poderiam fazer alguns dos cantores que ele escolheu.

Essa crítica aos artistas não se estende a Paul Simon, cujo Slip Sliding Away (1977) me pareceu uma espécie de testemunho contrário à vida de Steve. Nas letras de Simon, três pessoas com três paixões diferentes, cada uma permitindo que seus sonhos escapassem quando as provas da vida os dominavam. Embora, certamente houvesse desafios na vida de Steve, pode-se dizer enfaticamente que ele fugiu de suas paixões de todo o coração até o fim. Não houve escorregões e deslizes. Juntos, os notáveis interesses de Steve eram uma maravilha de se ver. Quem é o proprietário de uma coleção de selos que ocupa um cômodo para armazenar?

O equilíbrio notável de Steve não vinha de reprimir interesses e habilidades dados por Deus. Seu amor por selos foi balanceado por uma excelente biblioteca teológica, que por sua vez, disputou a atenção com uma maravilhosa coleção de vídeos, troféus de todo o mundo e um lindo quintal com alimentadores de pássaros e paisagismo invejável. A vida de Steve foi vivida em cores vivas e seu equilíbrio foi derivado do seu foco em Cristo, que reinou como Senhor sobre todos os seus amores e ações.

Aprendemos com Steve que o equilíbrio do cristão não é suprimir as qualidades maravilhosas e os interesses fascinantes que Deus lhe dá em favor da piedade. Pelo contrário, a piedade e a semelhança com Cristo ocorrem quando celebramos os dons vindos de Deus, fundamentando motivações e expressões nas verdades da Sua Palavra.

1. Os primeiros anos com os ministérios do Janz Team (antes de 2009)

Uma das cidades verdadeiramente bonitas da Europa, Minsk, é onde muitos dos líderes do Janz Team conheceram Steve. O ano era 2005 e agradecemos a Nigel Spencer, nosso diretor do Reino Unido, pois foi ele quem trouxe Steve para a nossa comunidade. Enquanto Nigel era a credibilidade inicial de Steve, ele rapidamente se distinguiu como conhecedor das agências missionárias e por sua contribuição para o trabalho do Reino. Seu treinamento bíblico e inclinação para ver o mundo através de uma lente teórico-histórica esclareceram nosso pensamento sobre os processos e propósitos da missão, enquanto sua simpatia amigável e graciosa fez dele um encaixe natural em nossa organização multinacional. 

Ele amava pessoas de todas as culturas e origens e era amado por elas. Pareceu-nos que Steve era um TeachBeyonder de coração e mente antes de desempenhar um papel e dever. Ninguém do pequeno grupo reunido na passarela de Minsk, há 15 anos, poderia imaginar que dentro de cinco anos a missão Janz Team seria substituída por uma nova visão, conhecida hoje como “TeachBeyond”. Além disso, ninguém, incluindo Steve, poderia pensar que essa transição se basearia extensivamente em suas qualidades de caráter, dons espirituais e experiências de vida.

2. Janz Team se torna TeachBeyond (2009-2015)

Em 2012, todos os vários ramos da antiga organização do Janz Team, exceto a Suíça, haviam se reunido sob um novo mandato educacional e um novo nome, e Steve era a chave para facilitar essa transição. Por que? Primeiro, e mais importante, porque ele estava disposto e vocacionalmente preparado para ver como Deus poderia usar o desenvolvimento de equipes e o discipulado na missão. Em outras palavras, Steve era um educador por dom e chamado. Durante a próxima década, como líder do conselho do Reino Unido e do Comitê Global da TeachBeyond, Steve nunca precisou ser pressionado a assumir o trabalho. Quando eu recomendei que ele fosse nomeado presidente do Comitê Global, seus colegas concordaram por unanimidade porque confiavam em seu julgamento, valorizavam sua vasta experiência, respeitavam seu compromisso com os valores históricos e a missão principal do Janz Team-TeachBeyond e apreciavam seu compromisso com a Igreja e a Grande Comissão. Essas foram as razões que verbalizamos, no entanto, todos sabíamos que havia outro aspecto que era pelo menos tão importante quanto essas outras qualidades: a personalidade de Steve. Os membros o escolheram para presidir por quem ele era, não apenas pelo que ele havia feito ou acreditado. Em retrospecto, foi uma decisão crucial ordenada por Deus.

Às vezes, a grandeza é medida pelo que não aconteceu e não pelo que aconteceu. Visto dessa maneira, podemos dizer que nos unimos em propósito pelos continentes. Harmonia e dedicação caracterizaram nosso trabalho. Alegria e paz estavam presentes mesmo em circunstâncias difíceis. Durante a última década de agitação dramática, não nos lembramos de uma palavra dura de Steve ou de uma expressão cruel, de uma falha em seguir o devido processo ou de um espírito teimoso e amargo. Antes, havia graça, bondade, paciência, tolerância para com os outros, honra e respeito. Essas eram as qualidades que Deus sabia que seriam exigidas da presidência, dadas as tensões que estavam por vir.

Quando ele assumiu sua posição, nenhum de nós percebeu que ele seria exatamente a pessoa certa para trabalhar conosco no desenvolvimento de nossa Constituição e em uma série de políticas e procedimentos. Um líder destacado e performático não teria tolerado o trabalho tedioso que precisava ser feito. Entre 2010 e 2015, criamos literalmente uma estante cheia de cadernos enormes e Steve ajudou o Comitê Global a trabalhar para criar os documentos fundamentais e a estrutura organizacional de que desfrutamos hoje.

A maravilhosa contribuição de Steve nessa área não se resumia em perseverança diante do tédio enfadonho. Sim, ele provavelmente levou um ano de trabalho apenas lendo e planejando sua função de presidente, ainda que também tivesse momentos de diversão à sua maneira. Isso ocorreu porque Steve era uma pessoa que valorizava profundamente a amizade e o companheirismo, os quais se tornaram correlatos surpreendentes deste trabalho detalhado. Para garantir que nossas reuniões transcorressem sem problemas, Steve e eu nos encontramos muitas vezes em Londres, onde oramos juntos pelas reuniões e pensamos no que era necessário para promover o trabalho. Cada um de nós viajava uma hora para a nossa reunião – ele de sua amada cidade Milton Keynes e eu de Horsham – e nos encontrávamos na “Friends House” do Quaker, do outro lado da rua da Estação Euston. 

Essas reuniões são algumas das lembranças mais felizes que tenho da década 2009-2019. Sempre concordamos em acrescentar cerca de duas horas ao nosso encontro, para que eu pudesse fazer perguntas sobre história, teologia, política e cultura. Sério, Steve era um assistente do Google de carne e osso que, como o Google Assistant, sabia quase tudo, e que, como o Google Assistant, nunca ficava bravo, entediado, defensivo, crítico ou ferido por qualquer coisa que eu dissesse ou perguntasse. No entanto, ao contrário do Google Assistant, seus olhos brilhavam quando falava. Isso ficava mais evidente, quando falava dos costumes sociais britânicos, que Steve podia explicar de maneira inteligente, graciosa e esclarecedora o porquê do modo britânico ser melhor do que outros. Adicione uma xícara de chá e um biscoito, e realmente não havia nada mais divertido no planeta. Isso pode parecer engraçado ou até irrelevante, mas, pensar no que não aconteceu coloca seu significado em foco: nunca houve tensão entre a cadeira e a liderança. Em vez disso, confiança, respeito, bom humor e carinho sustentaram toda a nossa interação, independentemente de estarmos discordando ou comemorando. 

    Como podemos medir a contribuição incrível que foi para nossos anos de transição?

3. Serviços do TeachBeyond Global (2015-2019)

A curiosidade e o senso de aventura de Steve provavelmente aumentaram seu entusiasmo por uma das melhores estratégias que o Comitê Global desenvolveu para criar solidariedade organizacional. Esse é o esforço que o Comitê Global faz todos os anos para realizar uma reunião prolongada em uma área em que a TeachBeyond está trabalhando. Steve foi um dos principais defensores dessa estratégia porque reconheceu a ameaça que a separação geográfica e as diferenças culturais representam para o nosso trabalho coletivo. A generosidade de muitos membros do Comitê Global e de outros colaboradores tornou possível reunir-se nessas áreas sem sobrecarregar os membros de nossa equipe ou seus projetos com o custo.

Logicamente, o Brasil estava no topo da lista para visitar, pois era o trabalho mais antigo e mais maduro. Aqui, em 2016, sob a liderança de Steve, o Conselho passou por todas as políticas em seu manual. A agenda era altamente ambiciosa, mas o trabalho foi concluído a tempo e ainda restou um dia para ver o Cristo Redentor. Minha esposa Beverley e eu tivemos o privilégio de visitar Steve, Ruth, Andrew e Rachel em sua casa, mas, para quase todos os outros, a nossa visita à grande estátua que supervisiona o Rio também foi a oportunidade de conhecer Ruth pela primeira vez. Uau! Ela foi incrível. As pessoas a amavam. Se Steve tinha dignidade, Ruth tinha exuberância, se Steve criava calma e racionalizava o irracional, Ruth inspirava os outros. Juntos eles foram a tacada certa em nosso braço organizacional.

No ano seguinte (2017), Steve liderou o Comitê Global para o Sudeste Asiático, onde nosso trabalho havia crescido bastante no espaço de alguns anos. Em mais de uma ocasião, Steve foi chamado a conhecer pessoas do alto escalão da sociedade e a dirigir-se a convidados, o que ele fez com dignidade, graça e excelência. Articulado, confortável diante de pequenos e grandes grupos, dotado de um dom para encontrar uma palavra apropriada, ele era um presidente do Conselho do qual podíamos nos orgulhar. Embora ele próprio estivesse alinhado teologicamente com o cristianismo evangélico histórico, e geralmente conservador em suas preferências pessoais, não era um radical de mente estreita que ofenderia por princípio ou usaria um púlpito para encerrar discussões. Ele completou 68 anos nessa viagem, mas sua mente e atitudes eram as de alguém com trinta anos – um fato que ele reconhecia e atribuía a seus filhos. Precisávamos de um porta-voz nesses países sensíveis que fosse moralmente conservador, mas, com espírito caloroso e acolhedor. Precisávamos de alguém que tivesse aprendido humildade, que pudesse ouvir e acenar educadamente, mesmo quando sabia mais do que seu anfitrião. No caso de Steve, isso aconteceu com frequência, por isso, somos gratos por termos tido um porta-voz tão qualificado nos representando.

Em 2017, estávamos viajando muito e seu grande amor pela aventura e curiosidade natural sobre tudo excedia a capacidade do corpo de acompanhar. Uma lesão, por exemplo, em Manilla, deixou-o abatido por vários meses, mas ele era um intrépido explorador fascinado pelas pessoas e pelo mundo que eles criaram. Em outra época, ele teria se juntado a Clive no sul da Ásia ou a Livingstone na África central. Em vez disso, ele se contentou com viagens conosco, meros mortais, como ilustra sua viagem ao oeste do Canadá no ano passado.

4. A transição final (2019-20)

Um ano antes de sua morte, quase no mesmo dia, Steve estava no Canadá realizando seu último ato importante para a TeachBeyond: liderando o Comitê Global em sua nomeação de David Durance como próximo presidente da TeachBeyond e do Dr. Eivor Oborn como sucessor de Steve no cargo de Presidente Global. Ele fez a última volta de sua corrida TeachBeyond e, como eu, estava planejando mais uma volta que faríamos juntos. Mais especificamente, imaginávamos escrever e ensinar fora do CATE Center, que ele estava ajudando a estabelecer como um campo de reflexão para o TeachBeyond. Ele havia concordado em ser um bolsista de pesquisa que exploraria temas em educação transformacional a partir de uma perspectiva teológica histórica.

Quando perguntei se algum comitê global gostaria de permanecer no Canadá após a reunião do ano passado para se juntar a mim em uma pequena excursão pelas Montanhas Rochosas do Canadá e costa oeste, Steve foi o primeiro a levantar a mão. Wolfgang Zschämisch e Alan McIlhenny juntaram-se a nós para criar um quarteto heterogêneo.. Até nossas excentricidades nos divertiram, incluindo o modesto senso de moda de Steve. Estes incluíam suas marcas: um chapéu branco, camisas de algodão desabotoadas e cabelos desgrenhados. 

Quando não estava cantando, Steve nos animava por horas com histórias que deveríamos saber. Havia bastante sorvete para nos refrescar, algo que ele gostava muito. Junto comigo e com Wolfgang, experimentamos sorvete do Rio até Manila ao longo dos anos. Ninguém aproveitou mais da viagem do que Steve, não apenas pelo cenário e senso de aventura, mas, também, pela companhia que tinha. Ele valorizou seus amigos e acho que foi especialmente assim após a morte repentina de Ruth. Esse acontecimento profundamente triste deixou em seu coração um buraco cavernoso que todos tentamos preencher, mas, de alguma maneira, não foi suficiente. Novos horizontes estavam se abrindo, e nossa esperança era que, com o tempo, houvesse cura, mas Deus tinha outro caminho.

Durante seus anos maravilhosamente frutíferos com o TeachBeyond, ele era como o apóstolo que se esforçava até o fim e se apegava à fé. Todos no TeachBeyond foram e são beneficiados por seu trabalho, um legado que nos guiará e apoiará nos próximos muitos anos. Adeus, bom amigo. Estamos tão felizes por você estar com nosso Senhor, felizes por teres sido curado e se reencontrar com Aquele que amava tão exuberantemente. Você correu duro até o fim, acreditou o tempo todo. Tudo o que resta agora são os aplausos de Deus! Espero que você também nos ouça aplaudindo, pois permanece muito admirado e amado.

George M. Durance
Silverton, Oregon
1 de julho de 2020

Traduzido por Tami Sato de Carvalhaes 

Revisado por Ednardo Duarte

1. Nós Buscamos Transformação

A expressão “educação transformadora” está virando lugar comum. Nesta série, abordaremos 4 princípios essenciais para que ela aconteça.

O VÍRUS

De um vírus ouvimos rumores
Causando em nós temores
Vieram de terras distantes
Algo que nunca vimos antes

Rapidamente o vírus espalhou
Contaminando todos que encontrou
Milhares de vidas sendo ceifadas
E as pessoas apavoradas

Ainda tentando entender
Buscando a razão de ser
De tanto sofrimento e tanta dor
Responde-nos, nosso Senhor

Tudo à nossa volta mudou
Às pessoas, o vírus isolou
Não podemos nem nos tocar
O parente, ou o amigo abraçar

Ir à rua, à praça, à igreja
Nos lugares onde a vida sobeja
Para falar, conversar, para ouvir
Para viver, para interagir

Mas, o problema não para por aí
Há uma coisa que ainda não entendi
Esse vírus que ataca o pulmão
Também afetou a mente e o coração

Não conseguimos nos entender
Discordar, sem ofender
O vírus foi politizado
E cada um foi para o seu lado

Mas não há lado para escolher
Doente ou desempregado, tanto faz, tudo é sofrer
Nossa dor, pranto e gemido
Não tem cor, não tem partido

Livra-nos Senhor desta pandemia
Traz de volta a nossa alegria
Cura-nos e nos acalma
Mas cura também, o coração e a alma


(Adriano Caires – Missionário em Brasília)

Do Medo à Fé

À medida que enfrentamos novas ameaças de doenças e perturbações em todo o mundo, educadores estão em uma posição única para orientar seus alunos do medo para a fé.

COVID-19 e A Marca da Besta

Assistindo às notícias há alguns dias, vi fotos e vídeos daqueles que protestavam contra a quarentena do COVID-19 em exibição total. Estou ficando cansado de como certos textos bíblicos são anexados a certos movimentos e manifestações políticas – textos que são, francamente, mal utilizados e mal compreendidos. Infelizmente, o cristianismo acaba sendo deturpado no processo.

Com a insistência de minha esposa (que acha que eu deveria ser um pouco mais sincero sobre esse tipo de coisa), deixe-me oferecer alguns pensamentos que podem ser úteis para você ter em mente quando você vê fotos como essa flutuar nas notícias e nas mídias sociais .

A Marca da Besta
Não conheço nenhum estudioso ou teólogo bíblico respeitável que apoie que a quarentena ou vacina da COVID-19 está relacionada à “marca da besta”. Para iniciantes, em Apocalipse, a “marca da besta” não é de forma alguma um procedimento médico. Provavelmente, nem sequer é uma marca física ou visível. Ao contrário de algumas das teorias mais indutoras de medo que no passado ganharam força em alguns círculos evangélicos, a “marca” também não é algo que poderia ser acidentalmente adotada.

Por quê? Porque a marca da besta (Ap 13: 16-18) é uma marca que está intimamente ligada à adoração à besta (13:12, 15; cf. 19:20; 20: 4). Assim, a marca da besta é uma marca de lealdade e devoção à besta.

Além disso, quando você compara aquelas passagens em que a marca da besta é discutida com passagens como Rev. 7 e 14, é plausível pensar que a marca da besta é provavelmente um sinal que o identifica como algo que você já é – a saber perverso e mau, uma pessoa do dragão. Digo isso porque quando você lê Rev. 7: 1-8 e 14: 1 (onde a marca do Cordeiro é discutida), você notará que é uma marca dada ao povo de Deus, servos de Deus, a fim de identificá-los como tal e, é claro, para protegê-los. Eles recebem a marca do Cordeiro porque já estão unidos ao Cordeiro.

Parece bastante evidente que tudo isso acontece porque essas duas marcas – a marca da besta e a marca do Cordeiro – devem ser vistas como duas realidades polares, dois sinais opostos, marcando como se fossem dois tipos diferentes de pessoas, a saber, os iníquos, por um lado, e os justos, por outro.

O que tudo isso significa é que a “marca da besta” é provavelmente uma marca espiritual e não visível; é uma marca de lealdade e adoração e, portanto, não é algo que você poderia aceitar acidentalmente.

Portanto, você não precisa ter medo de obter a marca da besta tomando uma vacina – a menos que, é claro, planeje tratá-la como uma espécie de expressão simbólica ou “sacramento profano” (desculpe o oxímoro!) De sua vontade e rejeição pública da fé cristã que você despreza. Se esse é você e esse é o seu plano, não é a vacina que é o problema.

Sobre aquela besta….
Qualquer interpretação do Apocalipse que resulte em “a besta” se tornando o foco central (e temido medo) de sua escatologia definitivamente sugere que você não entendeu o livro. O fantasma nerônico adoraria a atenção que você está dando a ele, mas, francamente, ele não merece.

Prova de que prestamos muita atenção a ele talvez seja clara quando fazemos a seguinte observação: a maioria dos cristãos conhece apenas os textos que falam sobre a “marca da besta” (por exemplo, Ap 13: 16-18) e não sobre aqueles textos que falam sobre a “marca do Cordeiro” (por exemplo, Rev. 14: 1).

Isso é interessante para mim. Quero dizer, é tudo compreensível, suponho. Na cultura popular, afinal, a “marca da besta” recebeu muito mais atenção, tornando-se uma obsessão para muitos. (As bestas são barulhentas e chamam a atenção; os cordeiros podem passar mais despercebidos e ignorados.) Penso, porém, que talvez seja melhor obter a teologia de outros lugares que não sejam os filmes sensacionalistas da cultura pop e os livros de ficção mais vendidos. Uma mera sugestão.

Falando em sensacionalismo, é interessante como as coisas entram e saem da maneira que acontecem. Mesmo em nossas vidas, por exemplo, a “marca” foi atribuída primeiro aos números de seguridade social, depois aos cartões de crédito. Agora, aparentemente, certas interpretações da quarentena do COVID-19 estão fazendo suas próprias contribuições à sabedoria evangélica.

Muito desse sensacionalismo não apenas revela ignorância sobre o texto bíblico, principalmente no que diz respeito ao seu contexto histórico, mas como pastor devo acrescentar que o que mais me irrita é como essa ignorância serve para espalhar um medo desnecessário entre o povo de Deus – um bom lembrete de que a teologia tem consequências.

De quem é a revelação?
Interpretações populares de “Revelação” são muitas vezes esquecidas (negligentes?) Do fato de que este livro é “A revelação de Jesus Cristo” (Ap 1: 1). Muitas pessoas (principalmente nas mídias sociais) tratam isso como se fosse a revelação do dragão e sua ira. Os tolos professores de escatologia concentram sua atenção em infinitas especulações sobre o Anticristo, a “marca da besta”, etc., que eu realmente me pergunto se eles acham que o Apocalipse é principalmente sobre revelar o satânico.

Duas coisas a dizer sobre isso: (1) Tais suposições sobre o Apocalipse tratam Satanás como a estrela das especulações do fim dos tempos, gerando, mais uma vez, um medo desnecessário nas pessoas boas. E (2), tais visões estão simplesmente erradas: nem o dragão nem a besta são as estrelas do espetáculo; portanto, eles não devem ser o foco de nossas obsessões.

Pelo contrário, o objetivo do Apocalipse é revelar e descobrir a vitória do Cordeiro e a vitória que o Cordeiro compartilha com seu povo. Jesus é o foco. Francamente, isso é uma notícia bastante antiga. De fato, são 2.000 anos de notícias. É teologia básica. E, no entanto, é ignorado.

Suspeito, porém, que muito do hype escatológico equivocado tenha muito pouco a ver com teologia e muito mais com certas ambições políticas que poderiam ser obtidas armando textos bíblicos importantes (por exemplo, Ap 13) para seus próprios fins – uma espécie de coisa nerônica / bestial a se fazer, realmente. Essa é a política do nosso tempo, no entanto.

Vamos jogar o jogo
Vamos fingir que a besta e sua marca estavam, de fato, associadas à quarentena de COVID-19 ou a alguma vacina relacionada, pois esse sinal insinua. (PSA: não é, mas apenas finja comigo por um minuto.) Mesmo assim, se for o caso, faz muito pouco sentido bíblico lutar contra a fera com coisas como a bandeira americana e a 2ª Emenda (você pode estar interessado em saber que vi um manifestante com uma arma; qual é o sentido de protestar com uma arma?).

De qualquer forma, protestar contra “a besta” e sua “marca” com ameaças das armas deste mundo é combater o inimigo com seus caminhos. Mas você não pode avançar na agenda de Deus com violência ou com ameaças de violência. Se você vive pela espada, bem, você sabe …

De muitas maneiras, então, quando uma pessoa tenta avançar o Reino de Deus por meio da violência, ironicamente, mostra-se ter mais em comum com a besta e o dragão do que com o Cordeiro. Somos ensinados que, ao contrário, como cristãos, vencemos o inimigo “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do [nosso] testemunho” (Ap 12:11).

Em outras palavras, vencemos pelos caminhos de Cristo, não pelos caminhos de César. Portanto, se e / ou quando vir sinais tolos como esses, não deixe que eles induzam medo ou pânico em seu coração ou mente. Honestamente, não lhes daria mais credibilidade do que um rápido revirar dos olhos.

O fardo do teólogo
Se você é um estudioso ou teólogo bíblico cristão, agora é a hora de ajudar outras pessoas a navegar pela grande quantidade de informações por aí. Talvez você possa procurar maneiras de fornecer orientação bíblica e orientação teologicamente coerente para aqueles que são desinformados ou desinformados quando se trata de escatologia – até porque isso é entendido à luz da pandemia do COVID-19.

Se você é pastor ou líder de igreja local, incentivo-o a aproveitar os recursos respeitáveis em escatologia para passar para sua congregação. Há estudiosos altamente respeitáveis escrevendo sobre o assunto – acadêmicos comprometidos com pesquisa cuidadosa, reflexão meticulosa e aplicação oportuna. A escavação desses recursos será um tempo bem gasto.

Texto original:

Para Além de ‘Plandemic’: Uma resposta cristã às conspirações

Reproduzimos aqui um texto sobre o grave problema das “teorias” de conspiração em meio à pandemia, publicado originalmente no site da Fundação BioLogos. Não obstante seu conteúdo esteja condicionado pelo contexto norte-americano, os leitores certamente reconhecerão que a realidade nele retratada, infelizmente, em muito se assemelha à que observamos em nosso país. Ao endossar as advertências quanto às questões médico-científicas aqui referidas, reafirmamos também nosso compromisso de promover “ciência sólida, no serviço amoroso a Deus e ao nosso próximo”.

Se seus feeds de notícias nas redes sociais são como os nossos, então eles foram inundados de teorias conspiratórias sobre o coronavírus e sobre a resposta do nosso governo a ele. Vemos muitos de nossos amigos cristãos considerando teorias conspiratórias — se não acreditando nelas, pelo menos ouvindo-as. Por que conspirações são tão atraentes agora?

O vídeo Plandemia  ganhou grande atenção com suas falsas alegações sobre a pandemia de COVID-19. O filme é estrelado por Judy Mikovits, que já foi uma pesquisadora médica legítima, mas desde então caiu em descrédito com o establishment científico. Ela promove a visão de que as vacinas são prejudiciais e que o novo coronavírus foi manipulado por engenheiros genéticos. O vídeo foi removido do YouTube (o que para alguns apenas fornece evidências de quão profunda é a conspiração!). E não demora muito para descobrir que o trabalho de Mikovits  foi devidamente desacreditado.

Também na semana passada, houve uma imagem viral circulando pelo Facebook alegando que nenhum funcionário do Walmart, Amazon, Target, Costco ou Kroger [grandes lojas de departamento norte-americanas] testou positivo para COVID-19, por isso é ridículo que as pequenas empresas tenham que permanecer fechadas. É tão fácil fazer ou compartilhar tal gráfico, e “parece correto” para as pessoas que estão frustradas que as empresas estejam sob restrição. Mas uma rápida verificação de fatos mostrou várias agências de notícias reportando que muitos Walmarts se tornaram epicentros da COVID e tiveram que ser fechados.

Desejaríamos que esse tipo de conspiração e a disseminação de informações falsas e perigosas se limitassem a amigos do Facebook e grupos marginais. Mas, infelizmente, este não é o caso — líderes cristãos também estão alimentando as chamas.


Quando conspirações são alimentadas por cristãos

Como exemplo, há vários dias, um líder sênior de uma proeminente organização cristã enviou um e-mail “urgente” sobre a pandemia. Ele deixou claro que não falava em nome de seu empregador ou organização, mas sua plataforma e credibilidade com seu público vem de lá. Seu e-mail de 2700 palavras estava cheio de avisos em caixa alta e conspirações sobre “pessoas muito más” empurrando “ciência falsa e medicina falsa” na população. Seu principal argumento é que o Dr. Anthony Fauci  e outros estão envolvidos em uma “farsa globalista” demoníaca para enganar e controlar a população para estabelecer as bases para uma “nova ordem mundial”. Adicione a isso alguns links como uma palestra sobre os Illuminati, (“isso não é teoria da conspiração, mas fato de conspiração”) e uma revelação auto-filmada sob um banner QAnon, [teoria da conspiração relacionada a extrema-direita americana] e… bem, você tem um e-mail e tanto. O e-mail não só continha conselhos que contradizem diretamente o consenso esmagador de cientistas e especialistas em saúde pública, mas também pede orações para que “as pessoas se levantem em desobediência civil pacífica” contra tais diretrizes.

Quando os líderes cristãos insistem em rejeição de medidas de saúde pública, precisamos ser francos sobre o impacto que suas palavras podem ter. Um modelo influente da Universidade de Washington citado pela Casa Branca recentemente dobrou a estimativa de mortes por coronavírus até agosto para surpreendentes 137.000 (com a estimativa pessimista se aproximando de 250 mil!), em grande parte devido à diminuição do distanciamento social e ao aumento do total de mortes. Isso é sério e ameaça várias vidas.

A desinformação sobre coronavírus recentemente chegou a estágios ainda maiores. A conferência Q Ideas atrai milhares de líderes cristãos todos os anos para ouvir palestras no estilo TED dos líderes e pensadores cristãos mais proeminentes do mundo, com milhares mais alcançados online por vídeos de conversas passadas. Aplaudimos muito do que a Q Ideas fez ao longo dos anos, com análises reflexivas de questões culturais complexas a partir de uma perspectiva cristã. Infelizmente, este ano algumas das falas ficaram muito aquém, e de forma perigosa para a saúde pública. A liderança da Q mudou o evento deste ano para ocorrer apenas no ambiente virtual, anunciando-o como uma oportunidade para equipar cristãos para o nosso momento de pandemia atual. No entanto, duas das mais proeminentes falas, que ganharam o dobro do tempo das demais, foram de oradores que forneceram um impressionante bombardeio de teorias da conspiração e alegações já há muito desmascaradas.

Uma dessas falas foi uma entrevista que o fundador da Q Ideas, Gabe Lyons, teve com Robert F. Kennedy Jr. , um conhecido ativista antivacinação. Nela, Kennedy afirmou sem contestação uma série de falsidades há muito desmascaradas sobre vacinas, desde a alegação de que vacinas não são testadas com segurança ou com placebo (são), até alegações de que as vacinas envenenam crianças e causam autismo (não causam). Em outra conversa com o dobro do tempo das demais, Josh Axe, um quiropraxista e naturopata que vende suplementos nutricionais on-line, destacou os poderes curativos de vários remédios “naturais”, que ele vende como reforços imunológicos biblicamente obrigatórios. “Deus criou seu corpo para ser capaz de combater vírus”, disse Axe. “Você só tem que seguir sua Palavra e seguir os princípios da Bíblia” — princípios que, segundo Axe, incluem o uso de óleos, suplementos de ervas e pensamentos felizes. Ao seguir esta receita, mostraremos que temos fé em Deus, em vez de “fé em uma pílula ou em uma injeção” — uma tradução perturbadora da velha dicotomia fé-versus-ciência para o campo da medicina. Lyons deu apoio entusiasmado a essas falas (“nós… temos outra opção para combater vírus do que apenas depender da medicina)” e defendeu a divulgação dessas ideias (para que qualquer um possa decidir se “achamos que é verdade ou achamos que não é verdade”).

Não questionamos a motivação dessas pessoas. Achamos que eles realmente acreditam que estão fornecendo um serviço importante para espalhar a verdade. E concordamos com muitas de suas convicções cristãs. Mas, infelizmente, neste assunto eles estão minando a confiança do público nas mesmas pessoas que estão tentando nos manter seguros. Em nosso recente livestream  com o fundador da BioLogos e diretor do Instituto Nacional de Saúde (NIH), Francis Collins, ele referiu-se elogiosamente a seu “querido colega e amigo” Anthony Fauci, com quem fala diariamente, como “o mais notável especialista em doenças infecciosas do mundo”. “Então, quando Tony responder a pergunta, ouça com atenção”, disse Collins. “Você vai ter o furo de reportagem. Tony é um contador de verdades”. Que pena que Fauci se tornou o foco de tantas conspirações equivocadas.

Como a revista Christianity Today relatou há algumas semanas, os cristãos parecem desproporcionalmente suscetíveis a desinformação e conspirações sobre o COVID-19. Isso se deve, sem dúvida, à forma como as ideias são embaladas nas guerras culturais em nosso país. Os cientistas e seus conhecimentos foram colocados lado a lado com outros acadêmicos e causas de esquerda. E todos nós estamos programados para encontrar afinidade com os grupos com os quais nos identificamos.


Respondendo com Ciência

Não é difícil ver como teorias conspiratórias podem ser atraentes em épocas como a que vivemos. Um mundo complexo inevitavelmente deixa lacunas em nosso entendimento finito. Mas uma “boa” teoria da conspiração pode preencher todas as lacunas, todas as incógnitas, conjurando forças invisíveis, motivos secretos e agentes duplos. (Você já viu um teórico da conspiração do 11 de setembro dizendo que ainda existem algumas contradições e lacunas explicativas que ele não foi capaz de descobrir?) Há um apelo implícito ao nosso orgulho humano, também — quem não iria gostar de ter o ego massageado por “saber” o que a maioria não sabe, de vislumbrar por detrás da cortina, de ser mais inteligente — ou pelo menos mais perspicaz — do que os melhores cientistas do mundo?

Também não podemos dizer que os defensores de ideias marginais não são inteligentes. O químico Linus Pauling  foi um dos maiores cientistas de todos os tempos, mas passou os últimos anos de sua vida defendendo que grandes doses de vitamina C intravenosa eram um tratamento eficaz para o câncer — uma ideia que ele defendeu até sua própria morte (ironicamente, embora tragicamente, de câncer). Pauling era um verdadeiro gênio e construiu argumentos apaixonados que nós, não especialistas, dificilmente poderíamos refutar. E, no entanto, de modo crucial, ele foi incapaz de reunir evidências científicas para convencer a comunidade científica mais ampla da qual ele fazia parte.

Quando nós da BioLogos priorizamos as visões de consenso da comunidade científica credenciada, não o fazemos porque achamos que qualquer cientista é infalível. Fazemos isso precisamente porque sabemos que não são. Os processos minuciosos da comunidade científica, desde uma rigorosa revisão por pares até questionamentos pontuais em uma conferência científica profissional, não teriam razão de existir se os cientistas (pelo menos coletivamente) não estivessem conscientes de sua própria capacidade de cometer erros e de ignorar explicações concorrentes. E embora nenhum desses processos sejam, por si só, garantias de infalibilidade, eles são os melhores métodos que temos para eliminar erros e concordar em torno das explicações científicas mais prováveis de serem verdadeiras. O que é incrível sobre a ciência é que ela está continuamente se auto-corrigindo. Erros científicos são corrigidos por outros cientistas — quase nunca por um comentarista de poltrona sentado na frente de uma webcam.


Respondendo com Fé

Confiar na expertise pode soar elitista, mas está fundamentado no princípio bíblico de que temos dons diferentes. 1 Coríntios 12:14-26 nos lembra que todas as partes do “corpo”, das mais proeminentes às mais negligenciadas, servem a um papel essencial como parte do todo maior. Não há espaço no cristianismo para desdém frente ao humilde e muitas vezes ingrato trabalho de profissionais do saneamento, produtores rurais e caminhoneiros. Mas também não há espaço para descartar o papel essencial de cientistas, médicos e especialistas em saúde pública. Todos nós temos um papel a desempenhar:

“O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de você!” Nem a cabeça pode dizer aos pés: “Não preciso de vocês!”… Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.  Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele.”

Como mordomos do poder de nossa influência em cada post no Facebook e em cada retweet, devemos lembrar que não estamos seguindo o comando de Jesus para sermos “prudentes como as serpentes” se formos influenciados pela manipulação emocional de uma teoria da conspiração ou de um vídeo bem produzido. E não somos “inofensivos como as pombas” se espalharmos desinformação ou semearmos confusão no meio de uma emergência global de saúde.

Nós percorremos um longo caminho desde o mundo dos escribas medievais, até a imprensa, até o nosso mundo atual de retweets, blogs, documentários do YouTube e e-mails em massa. As fronteiras do nosso conhecimento cresceram exponencialmente e, ainda assim, muitas vezes parece que cada grão de verdade é diluído em um mar de desinformação. Os algoritmos das plataformas de mídia social são projetados especificamente para aumentar o engajamento (e, portanto, a receita de anúncios) recompensando conteúdo emocionalmente carregado. Ironicamente, enquanto os teóricos da conspiração protestam se suas ideias são “censuradas”, a realidade é que as inúmeras vozes contraditórias contribuem para o que tem sido chamado de “censura pelo barulho” que abafa informações reais.

Na última década, a fundação BioLogos e os numerosos cientistas, estudiosos bíblicos e líderes cristãos em nossa rede trabalharam duro para mostrar que ciência de qualidade e a fé bíblica podem andar juntas em uma harmonia mutuamente enriquecedora. Ao longo dos anos, abordamos uma série de questões difíceis, da evolução à edição de genes às mudanças climáticas. Mas a urgência da crise atual dá um lembrete gritante de porque precisamos tanto da boa ciência quanto da fé cristã responsável.

Em um mundo de conspirações e desinformação, estamos conseguindo oferecer podcasts e artigos de cientistas de primeira linha. Tivemos novos insights do estudioso do Antigo Testamento John Walton sobre o livro de Jó e como ele pode reformular nosso pensamento sobre esses pedaços caóticos do mundo de Deus. Dezenas de milhares de pessoas assistiram nossa conversa ao vivo com o diretor do NIH Francis Collins. E produzimos vários outros  artigos  e  podcasts  sobre o tema (você pode encontrá-los todos navegando pela seção de Recursos com a tag coronavirus).

Estamos trabalhando duro em conteúdos como estes porque estamos convencidos de que isso é necessário agora mais do que nunca. Nosso objetivo é promover uma fé cristã que seja profunda e relevante para nossos tempos — moldada por uma leitura cuidadosa das Escrituras e da tradição cristã, e informada pelo melhor da ciência contemporânea.

Nos comprometemos mais uma vez a encontrar fontes respeitáveis, vetando alegações errôneas, lutando contra a desinformação, e promovendo ciência sólida, no serviço amoroso a Deus e ao nosso próximo.

Publicado originalmente aqui.
Publicado também na Associação Brasileira de Cristãos na Ciência.
Tradução Tiago Garros