Avaliando de Forma Redentora

Avaliar, corrigir e dar nota faz parte da nossa vocação como educadores. Tanto do que fazemos gira em torno de, ou é influenciado por, nossas práticas de avaliação que faz sentido examinarmos essas práticas à luz de uma visão bíblica de ensino e aprendizagem. Em seu livro, A Vision with a Task: Christian Schooling for Responsive Discipleship (Uma Vida com uma Tarefa: educação cristã com vistas ao discipulado), os professores do Calvin College, Gloria Stronks e Doug Blomberg, oferecem cinco princípios que devem nortear a avaliação em um contexto cristão.[1] Segundo eles, a avaliação deve:

  • Capacitar os alunos a se tornarem mais responsáveis pela sua própria sua aprendizagem (afinal, eles são imagens de Deus);
  • Contribuir para o desenvolvimento de um conhecimento sólido, alinhado com a verdade bíblica. Pensando assim, a avaliação deve permitir respostas abertas, encorajar tanto a investigação exploratória quanto respostas explícitas, e reconhecer os diferentes modos de aprendizagem que vão além do conhecimento analítico;
  • Incentivar o envolvimento do educando na comunidade da sala de aula, incentivando o seu aprendizado, sem julgar o seu valor como pessoa, baseado no seu desempenho;
  • Refletir o aprendizado considerado mais importante e ajudar os alunos a desenvolver a sua própria capacidade de aprender; e
  • Comunicar-se efetivamente com pais e alunos sobre o aprendizado do aluno.

Stronks e Blomberg argumentam que a aprendizagem do aluno, não apenas a aquisição de conhecimento, deve estar na raiz de toda avaliação em sala de aula. Eles reconhecem que a aprendizagem abrange mais do que apenas sucesso acadêmico (conforme definido por meio de uma pontuação alta em um exame).

Da mesma forma, no livro Teaching Redemptively: bringing grace and truth to the classroom (Ensinando Redentoramente: trazendo graça e verdade à sala de aula), Donovan Graham argumenta que provas objetivas tendem a negar essa realidade: a vida é confusa e complexa, e o aprendizado é um processo dinâmico e incerto.[2] Em vez de depender tanto de avaliações externas, Graham defende que uma abordagem mais bíblica da avaliação deve enfatizar o processo de aprendizagem. Deve-se reconhecer que o fracasso faz parte da vida e do aprendizado, mas que Deus em Sua grande misericórdia e graça nos dá uma segunda (e uma terceira, e uma quarta, etc.) chance: “Suas misericórdias são novas a cada manhã”.

Isso não quer dizer que abolimos nossos padrões. Sem padrões e objetivos claros, nem nós, nem nossos alunos, saberemos o que se espera que eles aprendam. O domínio das habilidades e dos objetivos de aprendizagem do conteúdo é uma parte importante do processo educacional. A questão é: como criar avaliações que revelem aos nossos alunos o que eles sabem, onde ainda precisam crescer e como podem preencher essa lacuna — sem o fardo de fazer juízo de seu valor sobre quem são com base em seu desempenho?

Esta é uma discussão que está em curso nos círculos educacionais, e não apenas por educadores cristãos. Embora os pontos de partida filosóficos sejam diferentes, em um artigo Laura Varlas aborda muitas das mesmas questões levantadas acima.[3] Por exemplo, ela quer saber como os educadores podem repensar formas de avaliação que geram medidas punitivas que distorcem a nossa percepção do que os alunos sabem e são capazes de fazer? Uma sugestão prática é evitar tarefas avaliativas que exijam apenas conformidade às expectativas. Outra sugestão é não dar nota pelo depempenho no dever de casa, mas apenas o pelo fato de que o aluno o fez, e concentrar-se em dar um feedback construtivo. Essas sugestões combinam com os critérios de avaliação dados por Stronks e Blomberg. Eles trocam uma ênfase nos acertos acertar por uma ênfase nos benefícios do processo de aprendizagem.

Mesmo assim, é muito mais fácil falar do que implementar essas mudanças. Como Varlas aponta, se começarmos a repensar o papel da avaliação em nossas salas de aula, devemos “estar preparados para repensar tudo”. Reformas de qualquer tipo podem ser uma tarefa assustadora. Em vez de fazer mudanças radicais, vamos nos perguntar quais pequenos passos podemos dar para nos mover em uma direção redentora com nosso uso de avaliações.


Rebecca Hunsberger
Coordenadora de Serviços de Educação de Professores
Diretora Adjunta de Serviços Escolares
TeachBeyond Global

Tradução & Adaptação: Raphael Haeuser


[1] Ver capítulo 8 do livro.

[2] Ver capítulo 24 do livro.

[3] Varlas, Laura. “How We Got Grading Wrong, and What to Do About It.” Education Update. Vol. 55, no. 10. ASCD. Oct. 2013.

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