Planejando o Envolvimento do Educando na Sala de Aula Virtual

Por muitos anos, educadores vêm testando a integração tecnológica e do ensino. A pandemia de 2020 acelerou esse processo. Gostemos ou não, alunos e professores agora se encontram nadando no oceano da aprendizagem virtual — rodeados por centenas de aplicativos e ferramentas online que prometem ser o caminho do futuro. Até o mais experiente em tecnologia entre nós se viu soterrado pelo grande volume de opções.

Há tanta tecnologia disponível que decidir quais ferramentas tentar pode ser assustador. Em vez de se concentrar nas ferramentas, no entanto, os professores devem dar um passo para trás e focar no aprendizado. Este não é um conselho novo; temos feito isso nas salas de aula tradicionais há décadas. Agora só precisamos transferir essa habilidade para ambientes virtuais de aprendizagem.

O que os alunos precisam fazer para alcançar o aprendizado que buscamos? Em seu Manual de Aprendizagem à Distância, Fisher, Frey & Hattie resumem as quatro funções básicas do envolvimento de aprendizagem. Os estudantes devem ser capazes de:

  1. “encontrar informações de forma eficiente e ser capaz de avaliar se as informações são úteis, confiáveis, precisas e corroboradas por outras fontes.
  2. “usar as informações de forma precisa e ética.
  3. “criar informações de forma que esse ato criativo aprofunde o entendimento.
  4. “compartilhar informações de forma responsável com o público para uma variedade de propósitos.”[1]

Ao projetar planos de aula, educadores estão constantemente avaliando quais dessas funções seus alunos precisam para maximizar o seu aprendizado e estão oferecendo oportunidades para se envolverem em atividades que promovam essas funções. Esse processo não deve ser alterado simplesmente porque mudamos o ambiente de aprendizagem para uma plataforma virtual.

É verdade que é mais fácil, a curto prazo, criar vários vídeos educativos e depender deles como o principal veículo para a transmissão de conhecimento. Mas todos sabemos que a fala do professor não equivale automaticamente ao aprendizado do aluno. Na sala de aula física, os melhores educadores alternam constantemente entre diferentes tipos de atividades de aprendizagem — algumas dirigidas pelo professor, outras dirigidas pelos alunos. Eles se movem, monitorando o envolvimento dos alunos e fornecendo apoio e incentivo, à medida que os alunos interagem de várias maneiras com o conteúdo sendo estudado.

Ao fazer a mudança para a aprendizagem virtual, professores devem montar suas aulas usando o mesmo processo de pensamento: o que meus alunos precisam fazer com essas informações para maximizar seu envolvimento na aprendizagem significativa? Uma vez que essa pergunta tenha sido respondida, então escolher a ferramenta certa entre a miríade de aplicativos de aprendizagem virtuais disponíveis torna-se mais fácil. Quais ferramentas ajudarão os alunos a alcançar o aprendizado que você almeja? É uma ferramenta que exige que os alunos trabalhem juntos em tempo real? Ou é algo que estimula a aprendizagem assíncrona?

Um cuidado oferecido por Fisher, Frey & Hattie é “evitar sobrecarregar seus alunos e a si mesmo com ferramentas demais.”[2] Escolher um punhado de ferramentas envolventes, ensinar seus alunos a usá-las (ao longo do tempo) e criar rotinas que permitam que a própria ferramenta fique em segundo plano, para que a aprendizagem ocupe o lugar central, são muito mais eficazes para promover a aprendizagem dos educandos do que introduzir novas tecnologias a cada semana. Só porque uma ferramenta está disponível e promove certo tipo de aprendizagem, não significa que seja a melhor opção. Selecione as ferramentas de tecnologia educacional que você usa da mesma forma como você faz com as estratégias de aprendizagem presenciais. Às vezes, menos realmente é mais.

Outro cuidado que esses autores oferecem é o lembrete de que todos se beneficiam com pausas no tempo de tela. Se houver uma opção off-line que atenda ao mesmo propósito educacional, mesmo na modalidade à distância, aproveite. Em seguida, você pode maximizar o tempo que passa “ao vivo” com os alunos priorizando “a conexão, a discussão e a interação”.[3]

O conjunto específico de ferramentas de tecnologia educacional é muito menos importante do que o tipo de envolvimento de aprendizagem que você deseja dos seus alunos. Lembrar disso pode diminuir o estresse causado pela enxurrada de aplicativos que inundaram nossa vida nos últimos meses. O ensino virtual planejado com esses princípios em mente beneficia a todos — alunos e professores.




Becky Hunsberger, M.Ed.
Coordenadora dos Serviços Globais de Educação de Professores
TeachBeyond Global

Tradução: Raphael A. Haeuser


[1] FISHER, Douglas, FREY Nancy, and HATTIE, John. The Distance Learning Playbook: Teaching for Engagement and Impact in Any Setting. Thousand Oaks, CA: Corwin Publishers, 2020. pg 104-105.</p id=”nota1″>

[2] Ibid., p. 109.

[3] Ibid., p. 116.

Foto: Learning via Shutterstock. Math and Art via Shutterstock.

 

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